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Viagem a Kyoto
Gente, depois de um ano morando no Japão, realizei um dos grandes sonhos da minha vida, conhecer a cidade de Kyoto.
Em 11/03/10, 03:56
Kyoto foi a primeira capital do Japão, daí o nome, que quer dizer, cidade capital.
Antes de falar de tudo que vi nestes dois dias, adianto que farei vários posts, pois tem muita coisa para comentar.
O fato de ter ido para lá com minha família e de encontrar duas grandes amigas, uma delas deve ter chegado ao Brasil hoje (que pena! que saudade!), fez com que a viagem se tornasse ainda mais especial.
E Kyoto realmente é um lugar mágico. Além da arquitetura de séculos passados, existem cerca de 1600 templos budistas e algo em torno de 400 xintoístas. A cada esquina você se depara com um, sempre com rara beleza. Além disso, o fato de você se aproximar do Japão tradicional, como a existência das gueixas legítimas, por exemplo, transforma a viagem num retorno ao passado.
Mas Kyoto também tem uma noite agitada, com muitos turistas e moradores estrangeiros. A efervecência no centro da cidade me surpreendeu, tendo em vista que em Nagoya não vejo tanto o que vi por lá.
Kinkakuji - Pavilhão Dourado
Deu para perceber que tenho muita coisa para contar, né? Agora é aguardar e acompanhar o blog durante estes dias.
Vamos mergulhar nos encantos de Kyoto!!!!
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Arigatô!!!!
Fiquei realmente feliz com os e-mails que recebi sobre o blog. Adorei todas as sugestões enviadas e vou escrever sobre todas, pode apostar!
Em 11/03/10, 03:51
Como estou envolvida nesta rotina, às vezes, detalhes passam despercebidos e, só você, pode me abrir os olhos para aspectos do Japão que já não me chamam a atenção (pelo menos não tanto) neste quase um ano de vida por aqui.
Mandem e-mails, sugestões, comentários!
Para mim, a sua participação é essencial.
Arigatô!
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Sugestões e comentários são bem-vindos
Se você acompanha as postagens do Arigatô e quiser comentar os assuntos abordados ou entrar em contato, basta manda e-mail para arigato@cidadeverde.com. Estou esperando! Arigatô!!!!
Em 04/03/10, 12:23
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Meu primeiro jogo de beisebol ainda não foi o primeiro
Em 04/03/10, 10:21
Nagoya Domu - Estádio dos Dragons
Pela primeira vez na vida fui a um estádio de beisebol para acompanhar uma partida. O jogo era dos donos da casa, o time de Nagoya, chamado Chunichi Dragons. Como a temporada não começou ainda, era apenas um amistoso.
Para não fugir a regra de uma boa brasileira, deixei para comprar os ingressos na porta, no dia, apenas duas horas e meia antes do jogo. Resultado: o estádio, com capacidade para 40 mil pessoas, já estava lotado. Não haviam mais ingressos há uma semana.
Olha quanta gente para ver um simples amistoso!!!
As filas na porta eram enormes. Andavam rápido e tudo muito bem organizado, mas você quase não via fim para as mesmas.
Não foi desta vez que entrei no famoso Nagoya Domu e acompanhei de perto uma partida de um dos esportes mais populares do Japão.
Frustrações a parte, principalmente por parte dos meus filhos (confesso que fiquei bem desapontada também), fomos à procura do próximo amistoso.
Agora já garantimos os ingressos de todos para o jogo do dia 20 de março, com bastante antecedência, como deve ser.
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Falando em sistema de transporte
Se existe algo que ainda não senti falta na minha vida do outro lado do mundo foi do meu carro. Algo que eu era totalmente dependente em Teresina.
Em 25/02/10, 21:37
Aqui não sinto falta nem mesmo para ir ao supermercado. A razão é a facilidade e a qualidade dos transportes públicos e a conservação e também qualidade das calçadas, ruas e avenidas.
Quando estou disposta vou de bicicleta. Sem riscos, sem trânsito.
Mas se necessito me deslocar para qualquer lugar, na maior tranquilidade, pego um metrô ou um ônibus.
Vários fatores fazem eu me sentir confortável para utilizar ônibus ou metrô.
Primeiro: pontualidade. Se preciso me deslocar é muito fácil calcular em quanto tempo chego em determinado lugar. Tanto um quanto o outro são precisos! Em cada parada de ônibus, por exemplo, você tem uma tabela com os horários que eles passam e a rota dos mesmos. Além disso, o motorista informa a parada seguinte, o que deixa você relaxado quanto ao caminho seguido. O metrô também é pontual e na tabela de horários tem o tempo que o mesmo leva para cada estação. Sem erros!
Segundo: qualidade do serviço. Ao entrar no ônibus você coloca seu dinheiro numa máquina e a mesma dá o troco, certo, até 1 iene que seja. Não existem cobradores, o motorista faz tudo. O ônibus para, você entra, depois que você senta, o mesmo sai da parada. Tudo sem atrasos, dentro da velocidade permitida. Quando está quente, o ônibus tem ar-condicionado. Se está frio, aquecedor.
No caso do metrô o esquema é o mesmo, há aquecedor e ar-condicionado.
Terceiro: você não precisa saber japonês, os transportes públicos contam com informações, escritas e faladas, em japonês e em inglês. Em Nagoya, em alguns pontos, há até instruções em português devido ao grande número de brasileiros por aqui. Os próprios motoristas de ônibus, não sei se isto é regra, falam inglês.
A qualidade dos serviços é tão alta que os motoristas andam sempre bem vestidos (as roupas são padronizadas) e são preparados para atender pessoas em cadeira de rodas e mulheres com carrinhos de bebês, por exemplo. Neste último caso, em particular, um dia saí com uma amiga indiana e o filho dela no carrinho. Ao pegarmos o ônibus o motorista parou, foi ajudá-la a entrar e ainda prendeu o carrinho com um cinto na cadeira dela, com um equipamento especial.
O único problema dos transportes públicos é o preço. O ônibus é algo em torno de 4 reais, na cotação de hoje. E o metrô varia de 4 a 6 reais, dependendo do trecho. Nos finais de semana você pode utilizar um cartão único que gira em torno de 13 reais e pode utilizar ônibus e metrô incontáveis vezes até a meia-noite. Mas, na verdade, se você não quiser gastar muito, a bicicleta resolve muito bem.
Tem de tudo dentro do seu bairro. Os transportes públicos acabam ficando para os dias de chuva, neve e preguiça. Ou para os grandes deslocamentos.
O importante é saber que podemos contar com os mesmos, com um serviço de alta qualidade, e rodar por toda a cidade, sem constrangimentos ou dificuldades.
Realmente os transportes públicos em Nagoya são de primeiro mundo!!!!
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Nagoya e a acessibilidade
Em posts anteriores eu comentei como a cidade de Nagoya é bem planejada, que não há engarrafamentos, mesmo com uma população (só em Nagoya, sem contar a grande região), girando em torno de 2 milhões e meio de habitantes.
Em 25/02/10, 21:24
E é realmente incrível como tudo funciona, especialmente, neste caso, o trânsito.
Mas o que acho realmente fantástico são as obras de acessibilidade que facilitam os portadores de deficiência a ter uma vida mais independente.
As ruas e calçadas, em qualquer lugar da cidade, possuem rampas e sinalização para cegos e deficientes visuais. Além disso, há sinais sonoros por onde se anda, nos cruzamentos, nos semáforos, elevadores, escadas rolantes, em tudo.
As portas possuem sensores. Os caixas eletrônicos também, além de sistemas que facilitam a vida de quem, teoricamente, possui limitações físicas ou mentais.
Os sistemas de transporte público, como o metrô e os ônibus, são totalmente adaptados aos cegos, deficientes físicos e idosos. Você não precisa se preocupar em como vai entrar ou sair desse locais, há elevadores, rampas e funcionários capacitados para atender qualquer, sem distinção.
Em virtude disto, por onde se anda se vê idosos e portadores de deficiência inseridos na sociedade numa vida normal, como deve ser, como são. Eles vivem de forma totalmente independente, como deve ser.
É gratificante ver isso pelas ruas da cidade de Nagoya, a aplicação dos impostos pagos em benefícios da sociedade.
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Adeus, meu amigo!
Um grande amigo se foi! Difícil de acreditar! Uma pessoa querida, e eu aqui, tão longe, sem poder dar-lhe meu adeus!
Em 05/02/10, 19:26
Comecei a trabalhar com televisão com Dogno Içaiano, em 1996. Aprendi muita coisa com ele. Coisas que até hoje guardo comigo. Além do lado profissional, Dogno sempre foi um grande ser humano. Durante 13 anos de convivência não lembro de tê-lo visto de mau humor.
Dogno era uma das poucas pessoas que ainda me chamam de Lalinha, apelido de criança.
Fizemos bons trabalhos, excelentes, e também muitas bombas!
Dentre estes trabalhos alguns me marcaram pela forma como Dogno registrou as imagens. Sua sensibilidade, seu espírito livre!
Às vezes, a vontade de capturar uma boa imagem era tão grande que ele esquecia onde estava e que era apenas um homem e tinha limitações.
Lembro-me de situações engraçadas, embaraçosas e difíceis.
O que importa é que Dogno fazia o que gostava. E levava para os telespectadores belas imagens do nosso Piauí.
Meu amigo, você fez história! Ainda tinha muita história, eu sei! Mas vá em paz, tendo a certeza de missão cumprida. O papel que decidiu exercer durante sua vida ao lado da Maria, de suas filhas, neto e amigos, foi bem executado. Continue sorrindo!
Segue em paz, amigo! Você vai deixar saudades! Sentirei falta de seu grito no meio da redação: "Lalinha!!!"
Que Deus o acompanhe!!!!
Fábio Lima - cidadeverde.com
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Brasileira famosa no Japão
Como o japonês adora bossa nova, tem uma brasileira que faz muito sucesso por aqui Lisa Ono. Ela é descendente e, aos 10 anos de idade, veio morar em Tokyo.
Em 02/02/10, 11:27
Desde pequena que toca bossa e faz shows por aqui e no Brasil.
A brasileirinha tem talento!
Fonte: forum.munkonggadget
http://www.youtube.com/watch?v=_dfG6BM75uY (clique aqui para assistir)
http://www.youtube.com/watch?v=SG9Mj6_o_HY (clique aqui para assistir)
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O Brasil pela visão nipônica
É engraçada a visão que os estrangeiros tem uns sobre os outros. Sabe aquelas características que ganham fama e viram voz geral? Tipo: "brasileiro é barulhento!"
Em 02/02/10, 11:04
Pois é, quando a gente está fora do nosso país é que tem a percepção real da nossa imagem perante o mundo.
Especificamente com relação à imagem que temos diante dos japoneses, é interessante quando eles perguntam: "Brasileira? Samba?" Ou então: "Brasileira? Kaká!!!!" Ou ainda: "Bossa nova! Futebol!"
Na maioria das vezes isto nos faz sentir bem, pois alguns talentos intelectuais e no mundo do esporte são conhecidos em todo o mundo.
Falando especialmente da música, o japonês tem muita admiração pela nossa bossa nova. Quando você está em algum ambiente sofisticado é comum escutar clássicos da bossa, tanto em gravações originais, quanto em versões nipônicas. De repente, quando me dou conta: "meu Deus, é bossa nova! Quem está cantando é João Gilberto!".
Outro detalhe é quando nos perguntam sobre esporte. Imediatamente eles mesmos falam: "tirando o futebol, qual esporte você gosta?" "Ah! Brasileiro já nasce sabendo jogar futebol!". Enfim... Kaká, Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, são unanimidade por aqui. Vestir uma blusa da seleção brasileira então, é batata: você vai atrair olhares!
Depois que vim para cá constatei algumas "lendas":
1. Brasileiro é realmente barulhento!
2. A nossa música é linda e uma das melhores do mundo
3. Realmente a gente já nasce sabendo futebol (hehehehehehehehehe!!!!)
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Pagode Japonês
Hoje tive uma grata surpresa! Estava pesquisando na internet quando me deparei com um grupo de pagode japonês. Isto mesmo! Pagode japonês! E o detalhe: com músicas em português!
Em 02/02/10, 10:46
O mais interessante desta história é você ter a certeza de que mesmo tão distantes geográfica e culturalmente, a terra do sol nascente tenha tanta relação com nosso país.
O nome da banda é Y-no. A música tão comentada, "Querido meu amor". E o vídeo já foi visto no youtube por mais de 200 mil pessoas.
A banda de pagode de Tokyo tem como inspirações Fundo de Quintal, Art Popular e Revelação, por exemplo.
Se quiser conferir o som que está bobando na internet, basta clicar e aproveitar! (hehehhehehehehe!)
Fonte: globo.com
http://www.youtube.com/watch?v=IVNlM_JlWCw (clique aqui para assistir)
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A propósito...
O time da minha filha ganhou todos os jogos e está na final do torneio. Neste sábado estarei lá novamente com um grupo de pais na maior torcida. Hehehehehehehe!
Em 01/02/10, 12:25
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O esporte nas escolas
Dentro das escolas japonesas (estou falando de escolas públicas) o incentivo ao esporte é muito grande. Tudo começa com a criança bem pequena, ainda no jardim de infância. Na verdade, na pré-escola, eles são incentivados a fazer atividades físicas de forma bem lúdica, mas numa época do ano a escola promove o Encontro do Esporte. Os pequenos ficam cerca de 2 meses treinando "duro" para uma competição que envolve toda a família. Além de divertido, começa a prepará-los para o ensino fundamental.
Em 01/02/10, 11:40
Então, quando passam para esta etapa escolar, a criança inicia a educação física 3 vezes por semana, dentro do horário normal de aula. Os exercícios vão desde pular corda até competições de atletismo. Eles ficam neste esquema até o 3º ano. Quando começam o 4º ano, e estão com idades entre 9 e 10 anos, as crianças são convidadas a participar das atividades extra-curriculares, os clubes da escola.
Neste caso envolvem ou música ou esporte. A partir daí, além da música e da educação física dentro do horário regular de aula, eles passam a ter horário extra para aprimorar uma destas atividades, que fica a critério da criança.
Minha filha mais velha escolheu o basquete. Desde então pude acompanhar de perto a estrutura montada para o esporte da criançada e percebi como é envolvente. Os meninos recebem uniforme e possuem uma quadra, com toda a estrutura exigida, para treinar diariamente. Além disso, eles realizam jogos-treino, com escolas próximas, semanalmente.
Desde o início de janeiro as escolas estão participando de um torneio num ginásio público. A cada jogo o time segue para a competição com os próprios professores (além do técnico, mais dois professores acompanham as meninas), de metrô. Nós, pais, vamos como espectadores e torcedores.
Aliás, esta experiência tem sido fantástica para nós todos. A cada final de semana, todos os pais vão ao ginásio levar o apoio para as filhas. Chegando lá, o ginásio tem o que se chama de estrutura de primeiro mundo (por que será?). Tudo para um torneio de meninas com idades entre 10 e 12 anos.
E o nível das meninas é bem alto. A gente acompanha os jogos e se sente numa competição maior, e não de escolas de ensino fundamental.
Com tanto cuidado, investimento, entende-se porque é tão fácil inserir a cultura da atividade física no dia-a-dia da garotada. Para eles é algo natural e tão importante quanto as outras disciplinas.
Se formos analisar, o papel da escola vai muito além de ensinar matemática, língua, ciências, história, mas, principalmente, de educar para a vida e para o mundo.
Aqui no Japão, a escola é realmente a extensão da nossa casa. O esporte é encarado com seriedade e disciplina.
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Como o Japão lida com os desastres naturais
Temos visto bastante na imprensa nos últimos meses muitas notícias sobre terremotos, chuvas fortes, furacões, etc. O terremoto do Haiti, que matou milhares de pessoas, chocou o mundo. Um país já tão sofrido e ainda passando por esta tragédia.
Em 27/01/10, 09:12
Pela imprensa é possível acompanhar também os estragos das chuvas fortes pelo Brasil deixando milhares de famílias alagadas e matando dezenas de outras. No nosso Piauí já temos centenas de famílias desabrigadas, além do saldo do ano de 2009, tanto das chuvas, quanto da seca.
Agora, o que temos visto são as tempestades no Peru, com chuvas há mais de 48 horas, 11 pessoas mortas e centenas sem casas.
A natureza costuma ser implacável!
Mas, o que percebo, é que ela é implacável mas dá sinais do que pode vir a acontecer. E há, na maioria dos casos, como se preparar para estas tragédias.
Aqui no Japão, umas das áreas do mundo com maior incidência de terremotos, a população é bastante preparada para isso. Existem treinamentos nas escolas desde o jardim de infância. Além disso, a prefeitura também realiza frequentes treinamentos com simuladores de escalas variadas e de tipos de terremotos.
Você aprende como se defender quando acontecer um terremoto, que atitudes tomar e o que deve fazer logo após o término do mesmo. Temos também kits de emergência e de sobrevivência em caso de grandes tragédias.
Depois que cheguei aqui já senti 3 terremotos. O pior foi em julho, algo em torno de 4,5 da escala japonesa. A sensação foi horrível, péssima, de impotência. Mas, ao mesmo tempo, meus filhos estavam dormindo e lá ficaram. E nada saiu do lugar. Nada mesmo!
O que mostra como preparadas estão as construções.
Em setembro passei por outro susto: um tufão! Os alertas começaram dois dias antes. Nos noticiários, a cada instante, informações sobre a localização do tufão, a velocidade, as consequências e o que fazer antes, durante e depois do mesmo acontecer. Mais uma vez, a sensação foi horrível! No momento em que o tufão passou pela minha casa, o barulho em volta e a força do vento me fizeram pensar que eu e minha família seríamos arrastados. Mas, graças a Deus, nada aconteceu! O tufão passou e quando o alerta foi retirado, vimos poucas, pouquíssimas cenas de destruição. Na verdade, se eu estivesse dormindo, nem teria acreditado no que aconteceu.
Para mim, isto revela como os japoneses estão preparados para as dificuldades e para os desastres naturais. Tecnologia, pesquisa, estudo, planejamento e vontade política. Tudo somado faz com que o sofrimento e mortes sejam evitadas.
Dizer que não morrem pessoas ou que não há problemas, não é verdade. Mas o planejamento faz com que saibamos conviver com as adversidades da natureza.
Lembro-me bem do historiador Marco Antonio Villa que, em meados do ano de 2005, escreveu um texto chamado: "Sertão, sempre a mesma história." Neste artigo eu recordo que ele falava que o problema da seca era que sempre se tentava combatê-la. E que seca não se combate, se convive.
Fica a lição de sobrevivência do Japão.
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Balanço geral
Estava pensando agora há pouco, enquanto escrevia sobre o processo de seleção, e percebi quanta coisa me aconteceu durante estes 9 meses de Japão. Experiências boas, outras nem tanto, mas a verdade é muita coisa aconteceu.
Em 26/01/10, 04:07
Neste tempo entendi as mudanças comportamentais e sua relação direta com as estações do ano. Aliado a isso, me atentei à mudança de rotina de acordo com o período, isto é, tipo de roupa, comida, diretamente ligados à primavera, verão, outono ou inverno.
Vi neve pela primeira vez!
Comi muita coisa diferente, das mais variadas cozinhas. Algumas estranhas, outras diferentes, mas deliciosas. Umas não me arrisco de novo.
Inseri hábitos diários dos quais não tinha tempo de aproveitar no Brasil, tais como, um café logo após o almoço ou um bate-papo com os amigos num café.
Descobri a arte da cozinha!
Tenho me dado ao luxo de aproveitar minha casa, de brincar em parques públicos, de andar de bicicleta.
Todos os finais de semana saio com minha família para algum parque. Às vezes vamos de bicicleta, outras de metrô. Às vezes brincamos de amarelinha, de queimada, de futebol, de basquete, de pular corda...
Aprendi a valorizar mais ainda o tempo livre e as boas amizades!
Certifiquei-me, mais ainda, do quanto amo meus pais e o quanto sou grata a eles pela pessoa que me tornei.
Senti medo da morte, da distância e da saudade.
Senti 3 terremotos. Passei por um tufão.
Vi a beleza e o encanto do outono.
Constatei o quanto somos frágeis como ser humano e ao mesmo tempo fortes como uma rocha.
Senti a pureza e a ternura de ser criança. E a fortaleza que existe dentro delas.
Senti o perfume das cerejeiras.
Enfim, estes 9 meses de Japão me fizeram perceber o quão grande é o mundo, o quão forte é a natureza e o quão belo é o amor pelas pessoas e como as relações afetivas são importantes para nosso equilíbrio.
Tenho aprendido muito aqui no Japão. Muito mais do que os livrosou nossos mestres podem nos ensinar.
Este título de PhD eu já conquistei!
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As vantagens da Bolsa
O Dr. Seiji Nakayama deve explicar os mínimos detalhes para os interessados no programa de bolsas, mas já adianto que é um dos melhores programas de custeio de estudos do mundo.
Em 26/01/10, 03:14
O programa de estudante pesquisador, do qual faço parte, inclui as passagens aéreas de ida e volta e uma bolsa de 155 mil ienes, o que deve dar algo em torno de 1500 dólares. Os primeiros seis meses você vive num alojamento da universidade, além de um apoio fantástico de professores e funcionários da mesma.
Para mim tem sido muito bom! Eu tenho me dedicado exclusivamente aos estudos. A bolsa dá para você viver muito bem.
O suporte da universidade é excelente! Além disso, o contato com outras culturas faz a diferença. Tenho amigos dos mais diversos lugares e regiões do planeta, tais como, Camboja, Peru, Honduras, Laos, Polônia, Turquia, Hungria, Estados Unidos, Índia, Guatemala, Argentina, China, Indonésia, Malásia, Uruguai, Chile, Congo, Nova Papa Guiné, Panamá... e por aí vai. Além de amigos do Japão e do Brasil. Nagoya é uma das cidades do Japão com maior número de brasileiros, inclusive estudantes. Hoje são 25 alunos distribuídos pelas diferentes universidades daqui.
Para mim, a bolsa só tem vantagens. Mas você tem que estar muito consciente do seu objetivo, pois as diferenças culturais são realmente enormes. E ainda tem a saudade da família. Há dias em que é complicado ficar longe de todos. Mas é um sacrifício que vale a pena a experiência.
Dado o recado?! Fica a sugestão: quer estudar no exterior em um lugar com ótimas universidades? Vá hoje mesmo na Seplan e procure o Dr. Seiji Nakayama!
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A seleção
Estou aqui no Japão por intermédio de uma bolsa de estudos financiada pelo Governo Japonês. O processo passa por várias etapas. A primeira delas começa com o contato com o Dr. Seiji Nakayama, na Secretaria Estadual de Planejamento (na avenida Miguel Rosa).
Em 26/01/10, 02:49
No meu caso, estudar no Japão é um sonho antigo, desde 1996, quando estava prestes a concluir a minha graduação em Jornalismo. Mas, resolvi tentar, pela primeira vez, no ano de 2007.
Tudo começa, como falei, na Seplan, por meio do Dr. Nakayama. Se você pensa em conhecer o programa de bolsas do governo japonês, ele é a pessoa certa para isso, aliás, ele é a pessoa!
Dr. Seiji Nakayama é o coordenador do programa de Bolsas do Governo Japonês no Estado do Piauí. E este trabalho é desenvolvido por ele na Seplan.
Existem bolsas do Ministério da Educação do Japão, Monbukagakusho (primeiro desafio é falar este nome sem se engasgar!), e da JICA, Agência Japonesa de Cooperação Internacional. De acordo com seu objetivo, você pode participar da seleção para algum dos dois órgãos. Isto quem vai explicar direitinho é o Dr. Seiji.
Pois bem, no meu caso, em dezembro de 2006, procurei Dr. Seiji, na Seplan, e iniciei o processo para tentar uma bolsa de pós-graduação do Monbukagakusho. Para este programa você deve ter nivel superior, menos de 35 anos e um projeto de pesquisa para ser desenvolvido por aqui.
Você tem uma série de documentos para preparar, além de um projeto de pesquisa (o Dr. Seiji orienta o candidato quanto a isso!).
Primeira etapa finalizada, começa a preparação para o segundo estágio: a prova do Monbukagakusho. Para o programa de bolsas de pós-graduação, a prova é de inglês, feita no Consulado do Japão em Belém. Caso o candidato atinja uma determinada nota, vai para uma entrevista. Então, é esperar se vai ser recomendado ou não pelo Consulado.
Pensa que acabou? Aí vem mais trabalho! Mas vou deixar na curiosidade. Se tem o sonho de fazer parte de algum desses programas, vá na Seplan e procure o Dr. Seiji Nakayama.
Ah! E procure logo! As inscrições para os programas de graduação, pós-graduação e outros cursos, tais como, educação escolar, começam em meados de abril. Mas, depende do programa. Alguns já estão em fase de inscrição.
Boa Sorte!!! Ou, em japonês: Ganbatte!!!!!
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Fiquei pensando...
Eu nunca expliquei vim parar aqui e nem como é a vida de estudante por aqui, né? Acho que está na hora de voltar um pouco toda esta história. Até porque é uma longa jornada.
Em 26/01/10, 02:47
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Voltei!
Olá, amigo internauta! Nossa, há quanto tempo, né? Você deve estar se perguntando o motivo do sumiço. Pois bem, meu desaparecimento tem uma causa justa: a proximidade da minha prova de seleção para o mestrado na Universidade de Nagoya. Estou a poucos dias da tão temida seleção para mudar de status, de estudante pesquisadora para mestranda.
Em 26/01/10, 02:35
Hum!!! E você ainda deve se perguntar: mas ela já não está no mestrado? E eu respondo: ledo engano! O processo para o início do mestrado é longo, difícil e depende de cada universidade e departamento.
Neste período como estudante do Departamento de Mídia da Universidade de Nagoya, estive estudando japonês e preparando meu projeto de pesquisa. Somente agora, em fevereiro, devo passar pela minha primeira tentativa de seleção. O que, no meu caso, é bastante complicado: a seleção para o mestrado em Jornalismo na Universidade de Nagoya é feita toda em japonês. Prova escrita em japonês, projeto em japonês e entrevista em japonês.
Como bolsista do Governo Japonês, posso tentar mais duas vezes e até mesmo mudar de departamento ou de universidade. Isto fica a critério do bolsista, mas com aprovação por parte do Orientador.
Bom, o importante é saber que posso tentar e tenho grandes chances de fazer meu mestrado por aqui. Quer dizer, mestrado só não, o doutorado também.
Ficarei mais ausente esses dias, mas postando sempre que possível. Tentarei ser mais frequente, prometo!
Mas é que escrever um projeto todo em japonês não é nenhuma tarefa fácil, muito pelo contrário, é de tirar o sono, o juizo, a paciência, o humor, a criatividade...
O Arigatô está de volta com muitas novidades!!!
Mata, ne!!!!
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Mochitsuki - もちつき
Nesta época do ano é muito comum a realização do Mochitsuki, isto é, a preparação do mochi ou bolinho de arroz. Este bolinho é levado ao altar nas cerimônias do xintoísmo.
Em 13/12/09, 08:31
Para o povo japonês o ano novo é uma data muito importante, tanto que as atividades são suspensas, normalmente, de 28 ou 29 de dezembro até o dia 3 de janeiro. É uma época sagrada. Nem os caixas eletrônicos dos bancos funcionam (vamos falar disso nos próximos posts).
E para brindar o ano que está vindo, as pessoas se reúnem para preparar mochi. Final de semana passado eu tive o prazer de acompanhar de perto a preparação do mochi e de experimentar também. Não só eu, mas toda minha família.
A escola dos meus filhos realizou o mochitsuki com as crianças, a família e as pessoas da comunidade.
Quem participou pode comer e até preparar o arroz para a moldagem dos bolinhos. Esta preparação é feita numa espécie de pilão gigante e o arroz é socado. Mais ou menos como preparamos a nossa deliciosa paçoca. O princípio é o mesmo. Todos participam, numa grande festa.
O interessante neste evento é ver o envolvimento da comunidade. Como foi tudo dentro da escola de ensino fundamental, bombeiros voluntários ficaram durante toda a manhã para garantir a segurança, já que são acesos grandes braseiros.
Passamos boa parte da manhã nos divertindo e apreciando aspectos ricos e bem interessantes da cultura nipônica. E eu ainda comi bastante mochi para brindar o ano novo!
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Intérpretes mirins
Minha gente, fico impressionada com a rapidez em que as crianças aprendem. Meus filhos estão aqui no Japão há exatos 5 meses. Mas estão frequentando a escola há apenas 3. Escola japonesa, diga-se de passagem.
Em 05/12/09, 22:36
Durante este tempo tiveram que tentar entender o que os amigos e professores falavam por meio de gestos ou por traduções apenas de palavras soltas (os professores possuem dicionários japonês-português para ajudar na compreensão e adaptação deles).
Hoje eles falam e entendem o japonês muito melhor que eu (detalhe: estou aqui há 8 meses). Isto acontece por vários motivos: um deles é que a criança não se preocupa em errar, ela quer se fazer entender. Nesta ânsia de se fazer entender, ela aprende o idioma com mais facilidade e naturalidade.
Outro detalhe é que a criança aprende pela imitação (assim penso eu). Imitando eles conseguem ser naturais na hora de falar o idioma. Os meus filhos conseguem se expressar tal qual uma criança japonesa. Eles não estão fluentes, ainda, mas o que sabem já está está de bom tamanho para o ambiente em que estão inseridos, como a escola, por exemplo.
A prova disso é quantidade de amigos que tem feito e as boas notas que tem apresentado.
Antes de vir para o Japão, meu maior receio era a dificuldade de aprendizado e adaptação por parte deles. Hoje isto não está mais na minha lista.
Lembro que li o livro da jornalista Sonia Bridi, Laowaii, em que ela relata os dois anos de vida em família na China. Em um momento do livro ela conta que não conseguia entender o que uma determinada pessoa falava com ela ao telefone e a intérprete não estava em casa. Ela passou o telefone ao filho de 4 anos e o garoto traduziu tudo.
Ontem passamos por uma experiência parecida. A professora do meu filho ligou para minha casa e eu não estava. Meu marido teve dificuldades em entender tudo o que ela dizia e passou para minha filha de 6 anos. Resultado: ela entendeu tudo e nos passou o recado.
A Sonia Bridi teve razão quando disse que tinha um intérprete mirim em casa. Eu e meu marido percebemos que temos três!