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Até segunda ordem
Quando eu era criança morava numa rua chamada “Coronel Afonso romano”. Uma vilazinha simpática, onde passei os anos mais felizes da minha vida, brincando na rua, ralando os joelhos, vivendo de verdade.
Minha vizinha de frente, Bibi, era a grande companheira de aventuras. Em sua companhia divertida, eu vendia miçangas na calçada, abria cancela para ganhar alguns trocados, tentava invadir uma clínica vizinha, dentre outras brincadeiras levadas.
Meu pai sempre morou longe de mim, mas gostava de fazer surpresas e chegar sem avisar. Numa dessas surpresas, meu pai me encontrou em plena travessura, secando os pneus dos carros com a Bibi, e nos deu uma bronca daquelas.
Eu, que não era uma criança dada a traquinagens, voltei pra casa carregada de culpa e disposta a não brincar na rua tão cedo. Meus pais nunca precisaram me dar broncas severas, porque sempre fui bem comportada e boa filha, e já estava quase me desmanchando em lágrimas de remorso.
Mal subi as escadas do meu sobrado e o telefone tocou, era meu pai. Já estava quase no avião de volta e contrariou as ordens me mandando secar mais pneus, tocar campanhias e viver como uma criança.
A verdade é que eu não entendi nada, pelo menos não naquele momento, mas fui correndo contar a Bibi que tínhamos permissão para sermos o que éramos: Crianças.
Uma sensação de liberdade que nunca se repetiu, mas que de certa forma me acompanha para sempre. Eu posso, ah, eu devo secar pneus!
Em 29/02/12, 17:59









