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Pela língua
Baseado em fatos reais e linguísticos...
Foi pela língua que Luiza e Caio se conheceram. Afim de aprender a língua espanhola, as duas línguas se encontraram e descobriram que havia um encaixe diferente do normal.
Aos poucos, as línguas curiosas, foram descobrindo muitas formas de dizer as coisas, de sentir os gostos, e perceberam-se falantes de tantas coisas antes impronunciáveis.
Se um químico e uma cineasta falam a mesma língua, eu não sei. Mas observo, com olhos e ouvidos atentos, que à cada vez que as duas línguas se encontram, se expande o idioma.
Se o amor ignora ou reinventa a linguagem, a verdade é que agora viraram poliglotas, e descrevem o dicionário que os próprios traçaram. Já se fala a língua do ciúme, da saudade, da vontade, do futuro... E à toda hora novas palavras com sinônimos e citações do querer vão somando, para que a tal língua nunca seja morta.
A língua falou em namoro, aceitaram. A língua falou em Paris, foram. A língua quer e diz ainda tantas coisas, que língua é músculo que não fadiga.
O que acontece é que ninguém mais fala essa língua, que é coisa só do amor dos dois. E fica sempre algo incompreendido, pois não há quem diga que duas línguas queram tanta coisa! E vão seguindo, falantes e “querentes”, que a língua espanhola já virou pidgen dessa fala que só cresce.
Agora, acreditem, a língua fala em casamento e dá nome aos futuros filhos, e já tem suas regras gramaticais e emocionais. Não resta para o casal um futuro diferente, só mesmo seguir os movimentos do músculo mais ativo do corpo e da alma.
Se a língua é mutável, que o amor seja mudado, mas nunca mudo.

Em 04/03/12, 10:17









