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  • De cara

    (Disforme como me olhar no espelho)


    Qualquer vestígio de futuro me apavora
    Qualquer sombra de passado me devora
    Do meu relógio já sem hora
    Da minha vida sem aurora
    Da minha rima pobre, ora!
    Do meu desfecho sou senhora.

    Sabe a mulher no corpo da menina
    Que a vida já traçou a sina
    Desde o dia vinte e três
    À gosto, sem desgosto
    O destino já se fez
    A dor é minha!
    E pronto, ponto. Outra linha.

    Às vezes bela
    Às vezes torta
    Sei que tudo me comporta
    Sei que nada me conforta
    Se o disforme é minha tara,
    Pouco importa!
    Quero a bala que dispara
    Quero a força que me para
    Quero o que me desampara.
    E se a palavra já é rara
    Se é pra fazer poesia
    Que ela tenha a minha cara.




    Em 09/03/12, 21:49
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