-
As primeiras damas do riso
Elas são loucas e divertidas. Na mesma medida. O passado de glamour e riqueza se foi e o que restou foram apenas lembranças, mas nem por isso essas três mulheres se deixaram abater - continuam acreditando que dias melhores virão. Nem que seja a reboque de novos golpes na sociedade. Esse é o clima de "Abrigo São Loucas", misto de peça e pocket show do Grupo Harém de Teatro. A montagem volta ao cartaz neste fim de semana, às 20h, na Sala Torquato Neto, atrás do Theatro 4 de Setembro.
A montagem é a segunda de um trilogia escrita pelo dramaturgo e diretor de teatro Arimatan Martins, iniciada com "Macacos Me Mordam" (2012). Dessa vez, ele afina o sarcasmo e a picardia que lhe são característicos para fazer uma crítica social às aristocracias mofadas (e falidas) do Piauí.Maria Fernanda, Maria de Castro e Maria Francisca são o que sobrou de anos e anos de pilhagem e desvio de verbas pública por parte dos maridos políticos de carreira em cidades de faz-de-conta, perdidas no interior do Piauí.
Sem mais nada para se agarrar depois de terem surfado a onda da abundância, elas se voltam para suas lembranças e provocam gargalhadas ao dar detalhes de como o dinheiro vindo da corrupção lhes sorriu durante anos a fio. É pura ficção. Ou não.Os atores Fernando Freitas, Francisco de Castro e Francisco Pellé se revezam em cena para dar corpo e muita alma às três relíquias do grande monde piauiense de outrora. "Abrigo São Loucas" não tem nenhuma pretensão panfletária; é uma peça cômica, mas resgata um passado político que não ficou muito longe da atualidade.As Marias são figuras impagáveis, com biografias de realeza; no final, o espectador entende que Arimatan Martins fez as vezes de Martin Scorcese ao fazê-lo cúmplice das fantasias de três ex-primeiras damas (agora da piada e do riso).
-
"O Hobbit" é adaptação perfeita da obra de Tolkien até agora
Para quem tem preguiça de ler "O Hobbit", de J. R. R. Tolkien, seus problemas acabaram. Mas vai ser necessário um bocado de paciência para encarar a maratona de quase três horas de projeção de "Uma Jornada Inesperada" - primeira parte da nova trilogia baseada no livro do autor da saga "O Senhor dos Anéis".
Sim, o filme é grande. Sim, o filme é lento. A narrativa acompanha praticamente passo a passo a ação de Bilbo Bolseiro e os 13 anões para recuperar um tesouro roubado pelo dragão Smaug. O tom demorado da produção dirigida por Peter Jackson é alvo de críticas; especialistas apontam que o livro não tem enredo suficiente para três filmes e essa estratégia seria apenas para aumentar o lucro das bilheterias.
Verdade ou não, "O Hobbit" até agora é a mais perfeita adaptação dos livros de Tolkien para o cinema. Apesar de cenas demoradas - como a chegada dos anões à casa de Bilbo, um a um - o ritmo impresso por Jackson, um conhecedor profundo da obra do escritor inglês e um mestre em filmar grandes cenas de ação, garante o sucesso do filme. Para diminuir o tempo de projeção, o diretor retirou um capítulo inteiro do livro na adaptação de "O Retorno do Rei", último filme da série "O Senhor dos Anéis".Para quem conhece a saga dos Anéis, "O Hobbit - Uma Jornada Inesperada" vai soar bem familiar. Não apenas por se tratar do prelúdio da luta contra Sauron mas porque Peter Jackson mantém a mesma atmosfera dos filmes anteriores. A nova produção que dá início à nova trilogia promove a sensação de chegar em casa após uma longa viagem. Nada mais Tolkien do que isso. Confira.
-
No banheiro com Madonna - 10 minutos com a sósia oficial da cantora no Brasil
Madonna fez o público de Teresina delirar com seus grandes sucessos. Em um show de mais ou menos uma hora, a Rainha do Pop mostrou que ainda é majestade absoluta dos corações de milhares de fãs, mesmo os mais distantes.
O que mais chocou a platéia foi que, após a primeira música, Madie cumprimentou os piauienses como um sonoro "boa noite", em bom português. Daí o encanto se desfez. Quem estava no palco não era exatamente a Blonde Ambition mas sua sósia oficial no Brasil, Verônica Pires.
Atração principal da festa Frisson Nigth, realizada no Atlantic City recentemente, Verônica realiza no palco uma espécie de encantamento: emula a diva pop como maestria e conhecimento de causa.
Amparada por dois dançarinos, a cantora - sim, ela não dubla mas canta, por sugestão do marido músico - imita milimetricamente Madonna em coreografias, gestos e figurinos. A sósia concedeu uma entrevista exclusiva ao Contemporama dentro do banheiro do camarim do show porque o barulho da pista era infernal. Por alguns minutos, Verônica foi ela mesma.
A perfomance da sósia é acompanhada por exibição de vídeos como passagens dos shows da artista americana. É quase um jogo de videogame acompanhar Madonna e Verônica em apresentações simultâneas. "Faço isso há 20 anos", reforça a brasileira.
Verônica confidencia que trabalha numa roda viva para ser Madonna, uma mulher camaleônica que muda de visual e atitude a cada piscar de olhos. A sósia conta com uma equipe que corre atrás de copiar figurinos e executá-los, enquanto Verônica cuida para manter a forma e o visual o mais parecido possível com seu ídolo.

Verônica Pires posa como Madonna no camarim de festa em Teresina: "Não sei mais quem sou"
"A primeira música que ouvi de Madonna foi 'Papa Don't Preach'. Enlouqueci com aquela mulher e quis logo saber quem ela era. Nunca mais parei de correr atrás dela", contou Verônica. Em duas décadas, a sósia oficial da Ambição Loira dedicou-se diariamente a ser seu espectro e transformou a admiração em profissão. "Quando acordo já não sei mais se sou a Verônica ou a Madonna. Acho que sou um pouco das duas".
Por mais incrível que possa parecer, Verônica Pires nunca viu Madonna nem de longe. Diz que todas as vezes em que a cantora vem ao Brasil ela sempre esteve trabalhando, exceto em uma ocasião em que machucou o joelho e não pode ir ao show. Coisas do destino. Mas se tivesse a oportunidade de falar com a diva, Verônica revelou que diria apenas "muito obrigado".
-
"Barrela", de Plínio Marcos, em cartaz no Teatro do Boi
A vida em suspense dentro de uma cela de prisioneiros é o mote para o espetáculo "Barrela", texto de Plínio Marcos e direção de Adalmir Miranda para o Grupo Corpos de Teatro. A montagem está em cartaz nesta sexta e sábado, 23 e 24, às 19h, no Teatro do Boi, zona norte da cidade.
-
De Pai para Filho: o homem por trás do Rei do Baião
Todo rei é um homem. E como tal possui defeitos que se tornam mais acentuados para quem os conhece justamente porque são os defeitos de um rei. A arte, em especial a música, está cheia de reis e é raro que nós meros mortais tenhamos a oportunidade de conhecê-los de verdade. Em "Gonzaga - De Pai para Filho", o diretor Breno Silveira oferece um olhar mais aprofundado sobre o Rei do Baião.
Conhecido e aprovado pela cinebiografia de Zezé de Camargo e Luciano, que levou milhares de pessoas ao cinema, Breno volta com um filme melhor sobre a vida e a obra de um dos ícones da música brasileira e representante da cultura nordestina. Mas quem for ao cinema vai conhecer um lado pouco visto de Luiz Gonzaga - homem batalhador, destemido e um pai omisso e distante que paga para suprir suas faltas.
É justamente sobre esse última nuance que se desdobra o enredo do filme quando o filho Gonzaguinha vai em busca do pai para aparar arestas doloridas. Breno Silveira não tem medo de mostrar o embate nem santifica Gonzagão. A melhor cena do filme é justamente uma troca de acusações e ofensas entre Gonzaguinha e Seu Lua. Entre um confronto e outro, conhecemos a trajetória do nordestino de Exu que introduziu os ritmos nordestinos em um país que ignorava o que não fosse Rio, São Paulo ou exterior.A falta de bons e grandes atores no elenco em "De Pai para Filho" é suprida por uma narrativa empolgante que soube peneirar da vasta biblioteca de causos do Rei do Baião os acontecimentos que ajudaram a construir sua carreira e persona artística.A exceção é Júlio Andrade, na pele de Gonzaguinha, numa atuação no estilo "um espírito baixou em mim". Ele é o ator sobre o qual Breno Silveira erigiu sua nova obra. Roberta Gualda, que vive Helena, a segunda esposa de Gonzaga, se sobressai por sua atuação forte como a odiada madrasta de Gonzaguinha. O piauiense Chambinho do Acordeon se esforça com honestidade para entregar um Gonzaga mas deixa escapar que sua praia é mesmo a música."De Pai para Filho" é um bom filme, que agrada a qualquer público, fãs ou não de Luiz Gonzaga. O diretor já havia conseguido a mesma façanha em "2 Filhos de Francisco". Breno Silveira foi feliz em não ter medo de expor o homem por trás do mito e que só agora o cinema pode revelar.
-
União dos Artistas Plásticos do Piauí realiza exposição anual

-
Pouco erotismo e muita pornografia em mostra na Casa da Cultura
Quando desfilava nas escolas de samba do Rio de Janeiro, a atriz Cláudia Raia evitava a nudez total a qualquer custo. Em sua defesa, Raia saía-se sempre com a desculpa de que insinuar a nudez é sempre mais provocativo do que mostrar seu corpo por completo.
A atriz tinha lá uma certa razão: a linha entre o erótico e o pornográfico é bem definida, apesar de que ambos falam línguas diferentes - o erotismo é pura imaginação enquanto que a pornografia é mero estímulo visual.A exposição coletiva "Saliências", que está aberta na Casa da Cultura, apresenta obras de artistas locais que falam muito de um e de outro; algumas peças da mostra, por sinal, falam melhor que outras. Levando em conta que sexo é ainda um tabu e um assunto que provoca desconforto, a arte inspirada nele corre o risco de não ser apreciada como se deve.Na mostra alguns artistas se saíram melhor na transposição do tema para esculturas e instalações. À medida que a arte contemporânea propõe a reflexão e um certo incômodo, não pode ser contemplada como bula - precisa provocar o intelecto e fugir da literalidade. Infelizmente alguns artistas não compreendem bem esse detalhe e se entregam ao senso comum.Outros como Rogério Albino, que participa da exibição, criaram obras que falam de sexo e erotismo sem clichês e mal gosto. "Saliências" é um mostra que propõe pouco o que pensar e peca por ser excessivamente literal. As camisinhas espalhadas pelo chão são dispensáveis e só atrapalham. Como sexo no escuro, a mostra poderia deixar que o espectador descobrisse mais tateando nos relevos das narrativas sobre o tema. Poderia ser erotismo, mas é pornografia.
-
União dos artistas plásticos promove feijoada com bazar

-
"Godzilla" vai ganhar nova versão em formato 3D
Depois de "Robocop" agora é a vez de "Godzilla" ganhar mais uma versão - ou remake como queiram. A Warner e a Legendary Pictures, responsáveis pela produção, anunciaram que a franquia do monstrengo japonês que faz sucesso há décadas no cinema, na TV e nos videos games, será reaberta com um filme que estreia em 16 de maio de 2014 nos EUA e logo depois no Brasil.
A marca Godzilla pertence à Toho Co. e conta com cerca de 25 filmes no total. Em 1998, o ator Mathew Broderick estrelou uma versão americana das aventuras da lagartixa mutante atômica. Para 2014, os produtores convidaram o diretor Gareth Edwards ("Monstros" e "Mercenários"). O filme poderá será exibido em 3D. O elenco ainda não foi divulgado.
Cena de "Godzilla", de 1998: Warner vai reabrir franquia da lagartixa atômica japonesa
-
Um tiro de misericórdia no agonizante Boi do Piauí
Alguns poucos piauienses indignaram-se hoje com a notícia de que o bumba-meu-boi do Maranhão é agora patrimônio imaterial do Brasil. O estado vizinho está em festa pela conquista de um título perseguido há pelo menos um ano, quando começaram os tramites para a titulação.
Pegos de surpresa, os poucos piauienses interessados no assunto logo iniciaram uma caça às bruxas: de quem é a culpa pelo Boi do Maranhão ter levado o título do Ministério da Cultura no lugar do Boi do Piauí? Por que o Maranhão nos tirou o título?
As respostas são doloridas. A culpa é nossa. O decantado Boi do Piauí evoluiu muito no Maranhão – e também no Amazonas. O estado vizinho não nos tirou nada, apenas soube valorizar uma manifestação cultural genuína, incentivando seu consumo pelo grande público – os próprios maranhenses e turistas que visitam o estado.
Não é de hoje que o Maranhão vende seu Boi junto a outros produtos turísticos Brasil afora. Quem já foi a São Luiz no período junino fica boquiaberto com as inúmeras quadras espalhadas pela cidade para receber uma infinidade de grupos de Boi da capital do interior. O Boi do Maranhão é um espetáculo para quem quiser ver. O Boi do Piauí se contentou em ser original e autêntico.
Por aqui alguns anos atrás tentou-se profissionalizar grupos de bumba-meu-boi de a e de cultura popular para que pudessem se apresentar em eventos dos mais variados. Sem sucesso. Teresina não tem um segmento de turismo movimentado e houve resistência dos grupos em modificar os ritos de apresentação para torná-la mais ágil e atraente.
Os grupos de bumba-meu-boi do Piauí permanecem um negócio familiar em nome da tradição. São majestades durante os Folguedos de junho e memória nos demais meses do ano. O maranhense tem orgulho em dançar e assistir ao Boi. No Piauí, levar uma carreira durante a apresentação já está de bom tamanho.

Cada um tem o Boi do tamanho que merece. Se os maranhenses ganharam um título importante e que os permite cobrar mais incentivos e proteção de um ministério insípido e silencioso, bom para eles. A nós cabe assistir e aprender mais essa lição sobre cultura – sem incentivo e valorização, nossas manifestações vão permanecer nos terreiros até desaparecer.
Cereja do bolo, alguém levantou um porrete contra o Halloween, sugerindo que a Festa das Bruxas dos americanos é mais importante que as culturas locais. Por que será? Ora, quem mais soube vender sua cultura para o mundo foram justamente os sobrinhos de Tio Sam. Para que melhor vitrine que o cinema americano? Quem aí não tem na memória um filme ou uma série – uma overdose do american way of life?
Os americanos valorizam e defendem sua cultura com unhas e dentes e a vendem para um mundo ávido por consumi-la. Cultura é algo vivo e que precisa ter seu valor reconhecido por seus integrantes, para que possa ser divulgada e consumida por quem não a conhece. É assim que funciona em qualquer lugar do mundo.
O que vai mudar no Boi do Piauí depois do Boi do Maranhão ter virado patrimônio imaterial do Brasil? Absolutamente nada. Já o maranhense terá mais orgulho e vai faturar muito mais atraindo multidões para ver um boi respeitado por todo o país.
Foto: Acervo Iphan
eugrego@gmail.










Jornalista, professor de Comunicação, Língua Inglesa e artista.