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  • O diabo nosso de cada dia

    Ele pode estar dentro de sua casa, na sua família, morar ao lado, no apartamento em frente. Com certeza trabalha com você. Está sempre disposto a lhe criticar, diminuir, faz questão de ser do contra e de dizer que seu trabalho está errado ou abaixo do esperado.

    Depois de algum tempo nós até nos acostumamos com sua presença, mas ele, ele nunca se cansa de dar aquela alfinetada, fazer aquela cara feia de reprovação e, na impossibilidade de se manifestar, marca sua presença nem que seja fazendo um barulho para chamar a sua e atenção de todos.

    Ele (ou eles) tem nome e função: o diabo nosso de cada dia. Há também quem o chame de diabo necessário. Não sabe quem é?  Sabe sim. Pode ser um irmão, irmã, parente próximo ou distante, o vizinho, chefe da repartição, gerente da loja, colega de trabalho, a secretária do chefe, coordenador de alguma coisa, líder de algum setor, fiscal, guarda de trânsito, a moça do telemarketing, a vendedora de cartão de crédito, enfim, alguém que se outorgou o direito de azucrinar e testar a sua paciência por qualquer ínfimo motivo.

    A ficção está cheia deles. A terrível Miranda Priestley de "O Diabo Veste Prada", Dom Jerônimo Taveira de "A Muralha", Mister de "A Cor Púrpura", o Nhô Lau dos gibis do Chico Bento, o feroz tigre Sherikan de "Mogli, o Menino Lobo", Juliana de "O Primo Basílio, entre muitos muitos outros.

    Entre os diabos necessários há uma categoria superior – a dos diabos necessários palhaços. Esses adoram platéia e sempre estão com uma humilhaçãozinha de plantão para lhe atirar na cara exatamente quando tem alguém por perto, mesmo que não esteja olhando. Daí ele fala alto, gesticula, capricha na expressão (de deboche, claro) e manda ver...

    Os nossos diabos nossos de cada dia tem também algumas frases características. É bem capaz que você já tenha ouvido coisas como “você não sabe fazer nada direito” ou “o que você acha que está fazendo?” ou ainda “não sei o que você ainda está fazendo aqui” e também “no tempo em que trabalhava nisso fazia sempre diferente e era um sucesso”.

    É necessário lembrar que como são muito criativos na tarefa de nos dificultar o convívio, os diabos necessários do cotidiano vivem inventando novas expressões e maneiras de tentar nos tirar a calma, motivação e paz interior.

    Depois de anos de convívio em série com vários espécimes do tipo, passei a observar que eles têm traços em comum. Geralmente são pessoas infelizes, que perderam o bonde da oportunidade, acham-se melhores em tudo do que realmente são, pequenos tiranos que se comprazem com maldades mesquinhas porque ocupam um cargo ilusoriamente importante e até transitório.

    Sorriem quando convém, encastelados em suas desconfianças e distanciam-se dos outros por se acreditarem em nível mais alto. Julgam-se mais inteligentes, mais fortes, mais bonitos, mais malhados, mais espertos, mais loiros, mais celebridades que os demais, apresentam melhor, escrevem como ninguém, enfim, são bonecos de raríssima coleção inestimável que pertence a ninguém. Acham que o mundo – e nós, suas almofadas de dardos – deve algo a eles e por isso vivem de chicote na mão a tanger um tesouro feito de nada.

    Toda vez que sou alvejado por uma malvadezazinha de meus atuais diabos necessários, procuro logo o antídoto: respiro fundo de olhos fechados, abro-os lentamente puxando lentamente pelas pálpebras e dou um sorriso. Digo algo bobo, sorrio e saio de perto. Perco três minutos estratégicos no ritual dos porquês e depois tudo vai voltando lentamente ao normal. Aqui e acolá, no decorrer do resto do dia, ainda lembro da última estocada, mas isso passa logo.

    Nossos diabos necessários são infecciosos e nocivos, mas mal, mal mesmo de verdade só fazem a si mesmos. Para eles, que lhes sirva de chinelada como em uma barata inoportuna, o verso do eterno Quintana: eles passarão, eu passarinho. Ou estezinho meu mesmo: eu sou um passarão, eles apenas um diabinho.


  • Leitura para tempos de campanha política

    Você votaria em Pelé para presidente do Brasil? Ou em Al Capone para governador?
    Que tal Marilyn Monroe para deputada federal? Já que neste país votamos em
    candidatos e não em partidos, o currículo  - ou folha corrida no caso de alguns
    - pode influenciar muito a escolha.

    Apesar de não fazer alusão alguma às eleições, o novo livro  da Larousse
    sugere uma comparação, por parte do leitor, claro,  entre ícones da História e personagens da política brasileira.



    "Heróis, vilões e trapaceiros" é de autoria de
    Rupert Matthews.“Não são só os ricos e poderosos que forjam o mundo moderno – apesar de serem numerosos. Muitos lideram pelo exemplo, servindo de modelo ou inspirando a revolta. Alguns desses personagens tão influentes são heróis, outros vilões e não poucos trapaceiros. Uns poucos conseguiram combinar essas três facetas em si mesmos”, diz o autor. Foram estes os personagens selecionados pelo autor para compor as 255 páginas

    Para quem foge do horário eleitoral na TV e no rádio, o livro pode virar uma
    ótima brincadeira de tentar saber se o perfil dos candidatos desse pleito está
    mais para herói, vilão ou trapaceiro
    .


  • Poemas de H. Dobal inspiram estréia no teatro

    "A Cidade Substituida" estreia no domingo, 22, às 20h, no Teatro do Dirceu. A montagem do Grupo Indigente de Teatro leva para o palco os poemas do livro de mesmo nome do poeta piauiense que na obra reflete o preço da transformação da cidade de São Luiz em uma metrópole. Ingressos na bilheteria a 2 e 4 reais.





  • Atriz brasielira faz sucesso em Hollywood

    Na noite desta terça-feira o SBT exibe o filme “A Lenda”, estrelado por Will Smith. Nada de mais caso a mocinha da produção que conta a saga de um homem lutando contra zumbis em mundo pós-apocalipse não fosse a brasileira Alice Braga.

    A sobrinha de Sônia Braga também esté em cartaz nos cinema mundo afora no papel da soldada israelense Isabelle, personagem de contraponto na ação-ficção-terror “Predadores”. Desta vez, a brasileira é o “par romântico” do astro Adrien Brody (Oscar por “O Pianista”, e “King Kong” e também de Laurence Fishburn (trilogia “Matrix”.

    A pequena Alice, de olhos e cabelos pretos e voz levemente rouca, foi descoberta por Hollywood em “Cidade de Deus”. A brasileira teve mais sorte que o galã Rodrigo Santoro: estrelou de cara filmes de sucesso, com produções cara, de ação e, melhor de tudo, sendo uma das protagonistas. Para refrescar a memória, Santoro entrou mudo e saiu calado, além de morrer logo no começo da película em “Panteras Detonando”, seu primeiro longa hollywoodiano.

    Mas o que tem mesmo essa tal Alice Braga para merecer tanto destaque? Um bom agente e talento de sobra poderiam ser a resposta. A atriz constrói um estereótipo de fragilidade e fortaleza que cabe como um luva nos filmes de ação de hoje. É daquelas mocinhas que não se intimidam, reclamam da vida ou passam o filme todo apenas gritando. Além disso Alice tem um inglês fluente e isso é essencial.

    Hollywood até agora tem lhe dado a pecha de heróina de filmes de ação, mas, mesmo em “Predadores”, uma produção meramente pipoca, dá para perceber que a baixinha tem estofo para ir muito além. Basta apenas que um bom papel dramático em um bom filme caia em seu colo. Aí é Oscar na certa. E isso é uma aposta...


  • Stephany e a humilhação em rede nacional

    Há umas três semanas, nossa estrelinha ganhou um cachê pra lá de polpudo por ter protagonizado mais uma bizarrice. Dessa vez não totalmente uma invenção sua.

    Stephany venceu o reality "Os Opostos se Atraem", ora exibido no programa Eliana, nas tardes de domingo no SBT. A cantora (really?) conviveu durante dois meses com uma estudante de moda que a detestava e o barato da história eram os insultos que trocavam no ar. Tudo ensaiado, me soprou uma colega de
    trabalho.

    Confesso que não vi a "competição" desde o começo. Sou um telespectador zapeador. Pulo feito canguru de canal em canal até encontrar algo que mantenha minha atenção - coisa quase impossível devido à programação televisiva do  domingo.
     
    Por coincidência, no domingo passado, assisti ao início de mais uma temporada da atração. Dessa vez participam a Mulher Filé, o ex-BBB Dicésar e a locomotiva Sílvia Design. Se a mistura de tipos já parecia um tanto indigesta, ficou pior quando apresentaram os concorrentes dos semi-famosos, pessoas ditas comuns que faziam o tipo inversamente proporcional.

    Este foi o mote para que as pseudocelebridades e os até então desconhecidos trocassem insultos e xingamentos em cadeia nacional, tudo para o divertimento do público. Na  verdade, que m ria mais e de tudo era a apresentadora Eliana, deliciada com o espetáculo bizarro em que animais da fauna como "viado", "vaca", "porco", "burra", "cavalo",  "boi", "jumento" eram usados pelos competidores em uma troca de afagos.

    Daí comecei a me perguntar se os 20 mil do prêmio final seria um preço justo por  tamanha ofensa. A gargalhada de gansa de Eliana só acentuava o terror que aquilo proporcionava a alguém compadecido com o ser humano.

    Continuei na minha comizeração com as pseudocelebridades que, literalmente, topam tudo por dinheiro para permanecerem um pouco mais de tempo em evidência. O pior é  que quanto mais xingamentos e palavrões no programa, mais me interessava e mais  relutava em mudar de canal. É minha estratégia para saber "até onde isso vai"...

    Depois de muito apontar o dedo para Eliana Dedinhos, lembrei que na TV do Piauí  também há esse tipo de expediente: a humilhação em praça eletrônica pública de algum palhaço que não se importa em passar por situações vexatórias para manter
    seu salário ou uma fama frágil.

    Na TV do Piauí também há "reality shows" tão bizarros quanto o "Os Opostos se Atraem". O diferencial daqui, é que nossos personagens são avacalhados num show que faz parte
    de sua realidade. E isso não é nada risível. Viva a televisão brasileira.


  • Warner divulga põsteres do filme "Lanterna Verde"

    Com previsão de estréia em junho de 2011, a adaptação para o cinema de um dos mais populares super-heróis dos quadrinhos já conta com grande expectativa do público em todo mundo. Aproveitando o crescente interesse, a Warner divulgou para a imprensa quatro cartazes da produção que tem o canadense Ryan Reynolds (A Proposta) no papel do piloto de testes Hal Jordan, que se tornará o primeiro humano a entrar para a tropa de guardiões galáticos conhecidos como Lanternas Verdes.



    Os pôsteres trazem os rostos do protagonista Ryan Reynold, Blake Lively, como a destemida Carol Ferris, Peter Sarsgaard como o cientista Dr. Hector Hammond e Mark Strong como Sinestro, o poderoso mentor de Jordan dentro da Tropa dos Lanternas Verdes. Juntas, as artes formam a principal frase do famoso Juramento dos Lanternas Verdes: “In brightest day, in blackest night. No evil shall scape my sight” (“No dia mais claro, Na noite mais densa, O mal sucumbirá ante a minha presença”).
    "Lanterna Verde"  é dirigido por Martin Campbell.









  • Final da saga "Crepúsculo" pode ter gravações no Brasil

    A informação foi divulgada esta semana por uma empresa de reserva de hospedagem de hotéis. O setor mira na legião de fãs brasileiros e de países vizinhos que poderão  vir ao Rio de Janeiro para conferir de perto as gravações de "Amanhecer", último filme da franquia inspirada no livro de Stephenie Meyer.

    Nesta sequência, Edward e Bella escolhem o Rio de Janeiro para curtir sua lua de mel. A imagem do Cristo Redentor, principal cartão postal da cidade, já havia aparecido em "Lua Nova", levando os fãs à loucura com a possibilidade de que o desfecho da saga possa ser em parte filmado no Brasil.


  • Sinfônica de Teresina tem projeto de R$ 300 mil aprovado pela Petrobrás

    Com abertura da temporada de concertos em 2010 marcada para a noite desta terça-feira, 20, no Theatro 4 de Setembro, a OST tem muito o que comemorar. A turnê Sertões, projeto de concertos didáticos e debates que serão realizados em no Piauí e mais três estados do semiárido nordestino, foi aprovada pelo programa de incentivo cultural da Petrobrás. O resultado foi publicado na sexta-feira, 16, em portaria da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura, do MinC.

    O projeto está orçado em R$ 333.900,00, dinheiro que será levantado através de captação junto a empresas entre julho e dezembro deste ano. Segundo fonte da própria orquestra, a verba já está assegurada junto a patrocinadores que terão isenção fiscal do valor investido.

    Crédito: site OST


    A turnê Sertões prevê também a gravação de um documentário sobre o circuito de viagens que visitará as cidades de Valença, Picos, Crato, Juazeiro do Norte, Salgueiro, Petrolina, Juazeiro da Bahia, Remanso e São Raimundo Nonato.

    A propósito, o concerto de abertura da temporada 2010 tem entrada franca e terá um programa com composições de grandes nomes da música clássica mundial. O repertório terá: Bethoven, com a "Sinfonia Numero 2"; Bizet, com "Carmen Suíte Numero 1"; Mozart com a "Sinfonia Numero 40 Em Sol Menor"; Strauss e a "Marcha Radetzky",  Oscar Lorenzo Fernandez com “Reisado do Pastoreiro”, encerrando com uma obra de Handel, Musica Para o Royal Fireworks Ouverture.



  • Quando a arte vale menos que um aparelho de TV

    O episódio dos ladrões que roubaram um museu em Oeiras mas levaram apenas uma TV, ventiladores e uma rede é risível. Nem sabiam que deixaram para trás peças raras e caras... Mas para quem mesmo?

    O fato me fez lembrar de um outro acontecido por estas bandas. Um empresário local encomendou telas a um artista plástico e ficou chocado com o valor cobrado por elas. É claro que ele não entendia de Arte. Achava que uma tela assinada custaria, no máximo, um pouco mais caro que uma cesta de frutas de plástico para colocar sobre a mesa.



    Dia desses no Twitter, um colega afirmou que jamais daria milhões por uma tela de Picasso, por exemplo. Não entendia porque pagavam tão caro por tão pouco. Tentei explicar que uma tela do pintor espanhol só pode se adquirida por quem de fato tem muito dinheiro, conhece arte profundamente e entende que ela é um investimento.


    Não estou aqui querendo dizer que artes plásticas são para endinheirados e que pobres mortais como nós não as podem adquirir.  Basta ir ali no pólo cerâmico de Teresina e comprar um par de vasos feitos por mãos habilidosas. Ou encomendar uma tela para um artista piauiense iniciante que lhe cobrará no máximo 200 reais - caso você os tenha livres - que podem ser divididos dentro das possibilidades do cliente.

    Sim, artistas consagrados custam caro e, muitas vezes, suas obras pertencem a acervos particulares ou públicos. Em alguns casos, elas são depredadas e desaparecem como murais feitos sob encomendas de Governos.

    Se engana quem pensa que o tráfico de obras de arte neste país é coisa de cinema. No Brasil há um cadastro de obras furtadas por bandidos que, em alguns casos, agem por encomenda. Graça a Deus, eles ainda não deram nenhuma passada por aqui.



    Nossos museus não tem segurança e "nossos" ladrões desconhecem arte tanto quanto muita gente "bacana" e endinheirada que adora passeios cafonas de fim de semana em Buenos Aires. Talvez nunca visitaram uma exposição local e, se o fizeram, preferiram comprar a bandeja de frutas de plástico.

    Tenho algumas pequenas obras que ganhei e espero ter espaço para pendurar as outras que ainda pretendo comprar. Arte é para todos, inclusive para quem vive de pagar carnê como eu. É só negociar com o criador. Ele vai entender que muito mais do que o dinheiro pago, existe a valorização de seu trabalho que muitas vezes é visto como mais barato e banal do que ventiladores e aparelhos de TV.

    **As telas que ilustram esse post são do artista plástico piauiense Avelar Amorim.


  • A Hollywood brasileira em Teresina

    O Brasil já teve a sua Hollywood. Ou melhor, suas Hollywoods. Foi nos estúdios da Atlântida e Vera Cruz que nasceu o cinema comercial tupiniquim. A partir dos anos  1940, artistas como Oscarito, Grande Otello, Eliana, Tônia Carrero, Zezé Macedo, Anselmo Duarte tornaram-se ídolos nacionais ou pelo menos de quem consumia  as comédias e musicais produzidos por  esses dois estúdios.

    A falta de um público permanente e grande o suficiente para manter a máquina de fazer filmes funcionando, além de uma linguagem  que  macaqueava  a produção do cinema americano - um concorrente muito mais forte - foram alguns dos motivos que levaram a Atlântida e Vera Cruz à falência. Mas além dos filmes, ficaram registros dos profissionais que trabalharam nas imensas indústrias de sonhos em verde e amarelo.

    Algumas delas estão reunidas no documentário "Era Assim Atlântida", de Carlos Manga, um dos diretores da linha de frente dos estúdios. O filme seré exibido em sessão única nesta quinta 8, às 18h, pelo projeto Programadora Brasil na sede da ABD, que fica na sede da Escola  de Teatro Gomes Campos, próximo ao Ginásio Verdão. A entrada é franca.


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