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  • Os erros e acertos de remontagens teatrais

    Produtos artísticos são coisas vivas. Vez por outra assistimos a remakes de filmes e novelas, ouvimos regravações de músicas consagradas e vamos ao teatro ver remontagens de espetáculos de sucesso. É bem verdade que a tal nova roupagem deve seguir os cânones anteriores.

    Muitas vezes esse novo olhar busca outros enfoques; Tim Burton acaba de dizer que vamos nos surpreender com o seu "Alice no País das Maravilhas"...Mas como podemos classificar espetáculos que transformam-se radicalmente a ponto de se tornarem algo inédito quando voltam ao palco alguns anos depois?



    Somtir: nova montagem aposta na comicidade; só podia ser mais curto

    Esse é o caso de "Somtir", dos pernambucanos Ângelo Madureira e Catarina Vieira e "Degelo", de Maurício de Oliveira, que abriram a mostra Rumos Dança, que está acontecendo na capital paulista até o próximo domingo.

    "Somtir" foi um dos espetáculos selecionados pelo edital de dança do programa Rumos Itaú Cultural em 2003. Lá na sua gênese, revisitava o frevo e a cultura pernambucana pelos movimentos e olhos da dança contemporânea. Era no mínimo instigante por apresentar a convergência entre mundos aparentemente não comunicantes.




    Ao voltar ao palco sete anos depois, os intérpretes levaram para o público uma espécie de ensaio para a apresentação em que expunham sem receios as limitações físicas e amadurecimento artístico adquirido em todos esse anos. Provocando risos, agradou.

    A dupla dialoga o tempo inteiro em cena sobre o que "faz sentido ou não" na nova montagem - uma crítica rasgada à estética vazia de muitas montagens. em dança contemporânea. O novo "Somtir" não mais tão instigante com dantes, mas não deixou de ser interessant; só precisava ser um pouco mais curto.

    Já o novo "Degelo", tornou-se um produto completamente novo - e oco de sentido. Em 2007, quando subiu ao palco do Teatro Gazeta, na mesma mostra Rumos Dança, discutia a passagem do tempo para o homem. Com um figurino um tanto cafona, mas com uma movimentação estudada e trabalhada, despertava a atenção pela origilinalidade apesar da monotonia.



    Degelo: remontagem peca pela aridez que o distancia do original

    Dessa vez, o trio encabeçado por Maurício de Oliveira apresentou uma montagem totalmente nova sob o mesmo nome. Tendo a chance de mostrar um amadurecimento do original ou seu desdobramento, mostraram um espetáculo árido e hermético, difícil de entender e sem comunicação. Muitas vezes respeitar o cânone é o mais acertado.




  • Negra obesa, analfabeta e violentada pode ganhar um Oscar

    Se fosse brasileira, a adolescente Clairecee Precious Jones tatuaria no corpo a expressão “desgraça pouca é bobagem”, que descreve com perfeição a sua vida. Por quê? Dá uma olhada: Precious é negra, obesa, analfabeta, mãe de uma menina com síndrome de Down, grávida do segundo filho e sofre abusos morais e sexuais do pai e da mãe desde os três meses de vida.



    Gabourey Sidibe como "Preciosa": drama é forte concorrente à estatueta
     

    Mas o bom disso tudo, se é que há algo de bom numa vida tão subumana, é que a adolescente por ganhar um Oscar no domingo 7. Felizmente, Precious não existe de verdade, a não ser através do corpo da atriz estreante Gabourey Sidibe, que concorre à estatueta de Melhor Atriz na cerimônia de entrega do maior prêmio do cinema mundial.



     Filme concorre a Oscar de Melhor Filme, Atriz, Atriz Coadjuvante e Diretor


    “Preciosa”, filme inspirado no romance "Push", da escritora Saphire, concorre a mais cinco estatuetas, entre eles Atriz Coadjuvante, Filme, Diretor. Depois de conferir uma exibição em São Paulo e conhecer os concorrentes, o blog aposta que a produção leve pelo menos o prêmio de Coadjuvante.

    A rapper Mo'Nique como a mãe de Preciosa: atuação que merece uma estatueta

    O trabalho da rapper Mo’Nique como a mãe de Preciosa é impagável. Mary vive de enganar a Previdência americana, da qual recebe uma pensão por uma suposta custódia da filha e da neta. Infeliz, gorda e fumante inveterada, sua única alegria na vida é humilhar e espancar a filha, a quem acusa de ter-lhe roubado o próprio marido – o pai de Preciosa a violenta desde sempre e é o genitor dos dois filhos da adolescente. 
     
    Apesar de tanta desgraça pessoal, “Preciosa” é filme sobre superação. É inspirador acima de tudo: a personagem-título encontra redenção através de uma escola especial que trabalha a auto-estima de garotas em situação de risco social. É pelas mãos da professora Blu Rain (Paula Patton) que Preciosa encontra o caminho da escrita e da leitura; num diário, a adolescente é incentivada a escrever sobre seu cotidiano e sonhos.

    Preciosa encontra a redenção pelas mãos da professora Blu Rain: educação como salvação


    Sonhos aliás são o analgésico de Preciosa. Cada vez que sofre uma agressão física ou moral, transporta sua mente para um mundo onde é uma modelo, cantora ou atriz de sucesso e é amada. Quando sua professora pergunta como ela gostaria de ser, a menina não hesita: “branca, magra e loira”.



    Lenny Kravtiz faz uma ponta como enfermeiro que cuida da adolescente

    Numa das aulas, Preciosa leva todos as lágrimas – principalmente os espectadores – quando fala sobre o amor, sentimento que só lhe “trouxe dor e desilusão”. Outra grande cena, é quando a mãe Mary é instada a explicar como sua filha começou a ser violentada. Grande cena.

     

    Emocionante sem ser melodramático, “Preciosa” tem um bom equilíbrio graças a direção de Lee Daniels. É dele, aliás, a direção de “A Última Ceia”, que deu o Oscar a Hale Berry. Vê-se que o diretor tem o pé quente. É fato que “Preciosa” não sairá da cerimônia de mãos abanando.

     



  • Um mergulho na alma-lama de Chico Science

    O lugar comum sobre Chico Science é que ele foi o ícone supremo do movimento Mangue Beat que varreu o Nordeste nos anos 1990 e delimitou uma nova forma de fazer música na região. O que quase ninguém sabe é que Francisco de Assis França, morto em acidente automobilístico em 1997,  era também um artista metódico que dizia até como os músicos da Nação Zumbi, a banda que o acompanhava, deviam entrar e se portar no palco.


    Fotos: divulgação
     


    Curioso? Não mais do que o Landal instalado no hall de entrada do Instituto Itaú Cultural, na Avenida Paulista, em São Paulo, onde acontece uma exposição sobre um dos maiores artistas pernambucanos. A presença do automóvel, uma réplica do modelo com o qual Chico Science se locomovia na sua Recife, é um chamariz e representa uma extensão da persona do músico fora do palco.



     

    Batizado com o sugestivo nome de Ocupação, o projeto convida o público a um mergulho na memória de artistas de destaque na área em que atuam ou atuaram. Assim, já passaram pelo hall do Itaú Cultural exposições sobre Nelson Leirner (artes visuais), Zé Celso (teatro), Paulo Leminski (literatura) e Abraham Palatnik (artes visuais).



     

    Subvertendo a idéia de homenagem estática, em que o visitante apenas contempla objetos do homenageado em questão, a Ocupação nos convida interagir com sua memória e legado. A visitação à mostra sobre Chico Science é acompanhada de música – numa jukebox o visitante pode fazer a trilha optando por vários sucessos como “Praieira”, “Macô”, “Rios, pontes e overdrives”, entre outros tantos.


     

    Fotos de acervo pessoal, crachás de festival onde Chico e Nação Zumbi se apresentaram mundo afora, cartazes e cadernos com composições do artista, que foram disponibilizados pela irmã Goretti França pela primeira vez, estão na mostra. Há ainda uma cronologia em forma de  linha do tempo elaborada de próprio punho pelo produtor da banda Paulo André.



    Jorge du Peixe, da Nação Zumbi, e Ana de Fátima, uma das curadoras da Ocupação
     

    “Essa mostra sobre Chico é uma aposta”, ressalta Ana de Fátima Souza, gerente de Comunicação do Itaú Cultural e uma das curadoras da exposição. “Ele mudou muito a área da música”, completa, explicando a escolha do pernambucano para esta quarta Ocupação. Os próximos homenageados serão o artista plástico Cildo Meireles e o cineasta Rogério Sganzerla.

     

    Com o cuidado de dialogar tanto com fãs quanto com não iniciados no movimento Mangue Beat, a mostra tem ainda um caráter educativo: o Instituto concede o transporte de escolas da Grande São Paulo para a visitação. A iniciativa é uma das razões para que a mostra, em apenas 24 dias, já tenha atingido um público de 12 mil visitantes. A Ocupação fica aberta por mais dois meses. A entrada é franca.


  • Rumos lança editais para Teatro, Música, Literatura e Pesquisa

    Intercâmbio entre grupos teatrais, intervenções em obras de músicos consagrados, encontros artísticos e publicação de pesquisas acadêmicas são alguns dos atrativos dos quatro editais do Progama Rumos Itaú Cultural lançado agora há pouco na sede do instituto, na capital paulista. Completando treze anos de criação em 2010 e uma dezena de editais lançados, o Progama mergulha numa reavaliação de valores e está "repensando os rumos e direcionamentos para as áreas que mapeia", asseverou o superintendente de Atividades Culturais do Itaú Cultural, Eduardo Sauron, durante a coletiva de imprensa para jornalistas de todo o Brasil, realizada na manhã desta terça-feira.

    Foto: Ivison

    Coletiva de lançamento dos editais Rumos Itaú Cultural: novidades instigantes

    Por reavaliação entenda-se a permancência da subvensão de projetos com foco no processo, pesquisa  e sistematização do conhecimento em todas as áreas artísticas e afins, desde a Literatura até a Arte Cibernética e abertura de editais como o inédito para a área de Teatro. Esse segmento, nos últimos três anos, segundo a gerente de Artes Cênicas do IIC, Sônia Sobral, mereceu atenção especial que motivou encontros com representantes de grupos de teatro de várias regiões do país. O objetivo, salientou Sônia, foi a elaboração de um edital que contemplasse um anseio comum a todos detectado durante as conversas - a troca de informações.

    Fotos: Cia da Foto

    Eduardo Saron, do Itaú Cultural: 13 anos de políticas públicas para a Cultura

    É com esse viés que o edital para o segmento de teatro patrocinará projetos de intercâmbio de pesquisa entre grupos nacionais; o objetivo é que os selecionados desenvolvam pesquisas num período de até sete meses de duração e publiquem em um blog o cotidiano do processo, promovendo debates em torno de questionamentos e constatações. Outra vantagem é que os selecionados não precisarão realizar prestação de contas - um bicho papão para a classe artística quando se fala em projetos.

    "Ao Rumos interessa a pesquisa, a discussão e não a obra acabada, apesar de considerarmos a possibildade de montagem de um espetáculo que venha a ser desenvolvido durante o intercâmbio", explicou o superintendente Eduardo Saron ao ser questionado sobre a não escolha de um edital focado no patrocínio de montagens ou circulação como o fazem similares no âmbito federal, estadual e municipal. A mostra de resultados do edital de Teatro será realizada em 2011.


    SÔNIA SOBRAL: três anos de encontros com grupos de teatro para elaboração de edital

    A área de Música ganhou um novo edital instigante. Duas novas categorias foram somadas às já existentes totalizando quatro. Foram mantidas o Mapeamento - que "revelou" para o Brasil artistas como os piauienses Naeno,  Maria da Inglaterra e Narguilê Hidromecânico, a baiana Mariene de Castro e os pernambucanos do Mombojó, entre outros - e Homenagem, que possibilita a interação e recriação da obra de artistas consagrados. Este ano, a categoria disponibiliza para download dois fonogramas de Rogério Duprat e Eupídio dos Santos e o poema "Navio Negreiro", de Castro Alves, e convida músicos, produtores e DJs a trabalhar sobre eles criando uma nova obra ou apresentar uma novo olhar sobre o material. 

    A categoria Duos, Trios e Quartetos  proporcionará 30 encontros entre músicos solistas ou bandas dos mais variados segmentos e regiões. O foco são grupos e criadores em geral. "Visualisamos encontros, por exemplo, entre um violonista do Pará com um violocenlista gaúcho", exemplificou o gerente de Música do Rumos, Edsona Natale. A categoria Infantil contemplará compositores cuja obra se destina ao público de até 12 anos.


    NATALE: edital mira em encontros de músicos e bandas de todo o Brasil

    Figurando entre os editais mais importantes da área cultural no Brasil, o Programa Rumos, que vem mantendo em ebulição os segmentos que abrange durante mais de uma década, encontra uma definição exata na fala do superintendente de Atividades Culturais do ICC, Eduardo Saron. "Nosso objetivo é criar políticas públicas para o setor cultural". E esse setor já aguarda com ansiedade os próximos 13 anos do Programa. Confira aqui os editais de Literatura e Pesquisa.


  • Nelson Mandela em Teresina

    Com um mês de atraso, estreia na capital o aguardado e comentado "Invictus", cinebiografia resumida de Nelson Mandela, interpretado pelo sempre econômico e excelente ator Morgan Freeman.

    Dirigido pelo não menos talentoso Clint Eastwood (Oscar por "Menina de Ouro"), a produção da Warner Bros retrata um momento decisivo na história de Mandela recém-eleito presidente da África do Sul.


    Freeman como Mandela: união de brancos e negros em prol de um sonho comum

    Recém-eleito para comandar uma nação que virou sinônimo de segregação racial, Mandela precisava unir o país dividida por ódio e racismo entre negros e brancos e encontrou a resposta onde menos se esperava: uma seleção de rugby vista como ‘zebra’ antes da Copa do Mundo de 1995. Esporte nacional sulafricano, o rugby é uma espécie de futebol jogado com as mãos com um bocado de trombadas.

    O presidente apoia uma seleção vista com desconfiança pelos seus próprios torcedores. De azarões, eles chegam à final da Copa do Mundo contra os grandes favoritos da Nova Zelândia, em um momento em que a nação esquece suas diferenças e une forças em prol de um objetivo comum: o título mundial.


    "Invictus" é dirigido por Clint Eastwood: astros também atrás das câmeras

    Além de Freeman, "Invictus" traz  Matt Damon ("Gênio Indomável" e franquia "Bourne" no papel de François Piennar, o capião da seleção sulafricana de rugby.


  • "O Lobisomem": o lobo mau da Bahia dá mais medo

    A refilmagem desse clássico do terror de 1941 é enjoativo de tanto que segue a cartilha dos romances ingleses de ficção científica escritos no século 19, dos quais Shelley e Stocker são expoentes. A propósito, a saga do homem vítima da licantropia merecia uma refilmagem, haja visto que Drácula e Frankestein já o tiveram com todos os efeitos especiais que mereciam.

                                                                                                                                  Fotos: divulgação

    O lobisomem uiva sobre a Londres vitoriana: falta suspense e sobram beleza e carnificina

    Uma prova de que "O Lobisomem" é um manual de literatura inglesa em movimento é a alusão à "fera interna e enternecida" que está no cerne dos romances de Mary Shelley e Bram Stocker. No final, a mocinha apaixonada pela besta declara sua dúvida entre quem de fato é realmente perigoso: o homem ou o lobo-homem no qual se transfomara?


    Cena de "O Lobisomem", de 1941

    O questionamento é o mesmo de "Frankenstein". Quem de fato é o monstro? O cientista que o criou que, em tese, é castigado por brincar de Deus? Ou o monstrengo que mostra medo e amor no contato com os humanos e é perseguido por ser diferente?

    O que mais chateia em "O Lobisomem" é a falta de suspense e o excesso de carnificina e sangue. Nos filmes do gênero feito entre os anos 1980/90 havia mais daquele e menos desse, o que os tornavam terrivelmente assustadores.


    "Frankenstein de Mary Shelley": Branagh e De Niro dão o tom clássico

    Quem aí não lembra que era lá pelo fim da fita que víamos a transformação total do homem em fera. Até aí, nossa atenção ficava presa por sequências que iam fazendo um crescendo até o climax - tudo banhado por closes de luas cheias, sombras do monstro e uma trilha sonora que nos fazia gelar a espinha.

    Nesta produção com Benício Del Toro (o lobisomem um tanto depressivo), Anthony Hopkins (só ele consegue aquela maldade nos olhos), Hugo Weaving (o elfo Elrond, de "O Senhor dos Anéis"), Geraldine Chaplin (interessante como uma velha cigana) e Emily Blunt, a direção de arte e a fotografia esmeradas para mostrar o interior da Inglaterra vitoriana se sobressaem ao próprio enredo. É tudo muito lindo. E o lobisomem? Ah é! Voltemos a ele.



    "Dracula de Bram Stoker": excelente transposição para as telas

    Sustos? Um aqui e outro ali. Tudo é entregue ao espectador de forma rápida. Para compensar, sangue, muito sangue. Sem o refinamento e a riquesa de um "Drácula de Bram Stoker", envergado pelo excelente Gary Oldman, ou a direção psicológica de "Frankenstein", interpretado por Robert Deniro e com Kenneth Branagh como o Victor Frankestein e por trás das câmeras, "O Lobisomen" é um filme lindo... e só ! Até mesmo o lobo mau da Bahia consegue dar mais medo...


  • Vida de travesti piauiense vai virar documentário

    Sob a direção da piauiense Karla Holanda, o filme sobre a vida da ex-vereadora e ex-vice prefeita de Colônia do Piauí, o travesti Kátia Tapety, foi aprovado por edital de patrocínio da Petrobrás para o segmento de audiovisual. O resultado foi divulgado recentemente e agora "De Zé a Kátia", nome do documentário, entra em processo de elaboração do cronograma de produção.

    Foto: Karla Holanda



    A idéia da documentarista é registrar a vida desse personagem controverso, nascido e criado no sertão piauiense, onde a hostilidade não se resumia apenas ao meio ambiente. Kátia, ou José, superando todas as adversidades, tornou-se primeiro travesti e depois o primeiro do gênero a exercer um cargo político no Estado.


    A vida de Kátia Tapety chamou a atenção da grande mídia, o que a fez marcar presença em programas de TV importantes como o talk show de Jô de Soares, na TV Globo. De acordo com informações de Karla Holanda, seu documentário pretende mostrar, além da figura pública, o lado "mãe e mulher" de Kátia Tapeti, uma autêntica flor bravia do sertão piauiense.


  • Bebida com "teor" de ressaca

    Ele não bem é a cara do carnaval, mas, dependendo da quantidade, pode provocar a mesma ressaca ou até maior do que as bebidas, digamos, mais momescas.O curioso é que os efeitos de um bom pileque de vinho, considerado o drink mais antigo e poético de todos, pode ser evitado se observamos o "teor de ressaca" que vem no rótulo. Sim ! Seus problemas acabaram...



    Quem ensina como não é uma médica, mas uma enófila (estudiosa de vinhos e não uma pessoa viciada em sal de frutas), Adriana Gasso. Ela adverte que o que provoca a ressaca depois de uma noitada de vinho é um tal de anidrido sulfuroso - uma substância adicionada ao líquido para matar germes e garantir longevidade. Quanto mais anidrido no vinho, maior será a ressaca de quem o consumir.

    “O anidrido sulforoso é um produto usado como anti-séptico, anti-oxidante e conservante no vinho. Ele inibe a formação de microorganismos prejudiciais à bebida e favorece sua longevidade. Sua utilização é regulamentada por lei em alguns países. Na Itália, por exemplo, existe um limite de 160mg/l para vinhos tintos e 210mg/l para vinhos branco e rosê”, explica a enófila.


    No Brasil, os vinhos precisam exibir a presença de anidrido sulforoso no contra-rótulo, mas a informação da quantidade não é obrigatória. “Não é simples determinar um índice aceitável, pois cada organismo reage a esta substância de forma distinta”, conta Adriana Gasso.



    Baco, deus do vinho: mortais devem se preocupar com o anidrido sulfuroso


    Entre os bons produtores há um consenso de que o ideal seria não ultrapassar 100mg/l, mesmo a lei permitindo taxas mais elevadas. Já a Organização Mundial de Saúde recomenda um índice mais conservador: eles consideram aceitável o consumo de, no máximo, 0,7 mg/l por quilo de peso corporal (isso significa que uma pessoa com 70 kg não deve consumir mais de 49 mg/l de anidrido sulfuroso).



    O problema é fazer essas contas depois de três ou quatro copos... Na dúvida, também vale chamar a ajuda de Hugo, um bom Engov ou, se tiver coragem, um bom banho no fígado com o velho chá de boldo da mamãe. Divirta-se e olho no contra-rótulo. Mais: se sair de Baco nesse carnaval,  não abuse.





  • Um Mad Max com Bíblia

    Denzel Washington é um dos atores mais respeitados de sua geração. Para entender por que, basta ver sua atuação em "Hurrycane", "Dia de Treinamento" (Oscar de Melhor Ator" e mais recentemente em "Gangster". O negão safa-se em qualquer papel, seja ele drama ou ação e a partir de 19 de março, será visto no apocacalíptico "O livro de Eli".



    O enredo é manjado. Algo Mad Max protegendo as Sagradas Escrituras. O filme se passa em um mundo pós-apocalíptico e conta a história de Eli (Denzel Washington), um homem solitário que tem a missão de proteger um livro sagrado que pode conter a resposta para a salvação da humanidade. Porém, Carnegie (Gary Oldman), prefeito déspota de uma pequena cidade fará de tudo para conseguir o livro.


    Na sexta-feira 5, o Universal Channel exibiu no Brasil um especial sobre a produção em que Denzel Washington explica que a missão de seu personagem é levar esse livro para o oeste.  O diretor Allen Hughes completa: “Ele é um homem de poucas palavras, misterioso e sem identidade”.  Eli chega a um assentamento controlado por Carnegie que conhece bem o poder da religião e a vê como forma de opressão.


    Para o diretor, o filme mostra como um indivíduo pode usar palavras de um livro para obter poder e escravizar pessoas.  Enquanto outro pode usá-las como inspiração espiritual para libertar pessoas. Eli vive isolado até que se aproxima de Claudia (Jennifer Beals) e, por mais que tente ignorar, suas emoções afloram e pela primeira vez ele consegue se abrir com alguém.


    "O Livro de Eli" tem pelo menos dois bons motivos para fazer sucesso - Denzel como o herói e Gary Oldman como vilão. É correspondente a um embate entre Morgan Freeman
    e Anthony Hopkins, não? O blog está contando os dias para a estréia..


  • Pense antes de "Twittar"

    Uma pesquisa do Ibope Nielsen Online, realizada em setembro de 2009, apontou que nada menos que 59 milhões de pessoas utilizaram comunidades e ferramentas de mensagens instantâneas no Brasil. Os dados confirmam o que todo mundo já sabia: o Twitter, Facebook e Myspace já fazem parte do dia-dia da maioria das vida dos internautas. Dados do Instituto Informa/Binder apontam que 18% dos usuários de internet preferem as redes sociais como forma de comunicação, seja ela pessoal ou como ferramenta para o trabalho.




    O Twitter, por exemplo, se tornou o símbolo da interação virtual. O usuário pode emitir uma única mensagem instantânea que será vista por diversas pessoas (seguidores) ao mesmo tempo, sem as "formalidades" dos emails e sem necessidade de resposta.  Sua disseminação no mundo corporativo facilita e acelera os contatos e as relações.

    Segundo pesquisa realizada pelo IBOPE, em março de 2009 o Twitter teve um crescimento de 96,8% no número de usuários, entre perfis de empresas e pessoais. Essa presença cada vez mais maciça neste tipo de rede social traz aumento da exposição de pessoas e suas idéias, e portanto, merece ser tratada com seriedade, como se houvesse de fato, um código de comportamento virtual.




    Com tanta facilidade de passar informação  e - mais perigoso - emitir opinião, alguns cuidados devem ser tomados dentro do espaço virtual. Afinal, nele  estão presentes não só amigos e familiares mas como chefes, políticos, jornalistas, colegas de trabalho, e todas as vertentes pessoais e profissionais que fazem parte da vida dos internautas.


    NA DÚVIDA, NÃO "TUÍTE".

    É preciso ter critérios na utilização das redes e analisar qual é o objetivo com as postagens de idéias, pensamentos ou sugestões, aconselha o head hunter Ivan Witt. Não é porque a internet é um ‘campo aberto’ que se deva abastecer uma página com qualquer tipo de informação


    Não misture informações de fórum intimo, ou estará sujeito a interpretações que nem sempre lhe favorecerão, alerta Ivan. Relatos detalhados de sua vida pessoal na internet passam a ser públicos e as conseqüências disso fogem ao seu controle.





    Informações da empresa/trabalho devem ser tratadas com ainda mais cuidado.  Empresas estão ligadas a um grande número de internautas: clientes, funcionários, fornecedores, governo, etc. Nesse campo, qualquer deslize pode ser bastante prejudicial.


    Até mesmo na utilização das redes sociais por razões pessoais, é preciso cautela, alerta Witt. Se seus ‘seguidores’ ou ‘amigos’ fizerem parte de seu ‘networking’ profissional, seu perfil estará sujeito a interpretações da mesma forma, e o que era apenas uma informação sem importância, pode acarretar em diversos constrangimentos.

    PS.: A propósito, o perfil do blogueiro no Twitter é @eugeniorego


     



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