Teresina presenciou nesta sexta-feira (26) mais uma demonstração do quanto a cidade ainda precisa melhorar para atender as pessoas portadoras de deficiência. Um casamento que deveria ser realizado no Fórum Central do município pela manhã teve de ser transferido para um outro prédio. Os noivos não abriram mão de ter como padrinho um amigo cadeirante. Sem rampa ou elevador, ele não tinha como chegar ao local da cerimônia civil.
O professor Moisés da Silva e a estudante Maiara Ribeiro prepararam o casamento por seis meses. Uma das testemunhas era o policial militar Joaquim Ferreira, cadeirante. O prédio possui acesso por rampa até o primeiro andar. No entanto, a cerimônia seria realizada em pavimento superior, onde só é possível chegar por escada.
"Onde que está o direito do cidadão cadeirante. Ele é igual a nós. Está mais difícil conseguir casar do que conseguir casar", disse o noivo Moisés. "Eu sinto que ele não se sente bem, e por ele ser meu amigo também não me sinto bem", completou a noiva Maiara. Orientados a escolherem outra testemunha, eles se recusaram.
O casal foi levado a um outro prédio, onde o casamento foi realizado. No entanto, o policial militar não escondeu sua insatisfação. "O órgão da Justiça é até contraditório cobrar que a sociedade cumpra a lei e se ele é o primeiro a descumprir", declarou Joaquim Ferreira.
Responsável pelo fórum, a juíza Celina Freitas declarou ter ciência do problema, mas informou que ainda existem limitações financeiras para a reforma.