• O EXEMPLO DA CIDADE VERDE
Sempre testemunhamos atos e relatos de maneira negativa sobre o Piauí. Muitos deles, partiram do nosso próprio povo. Historiadores de expressão regional na literatura e na cultura, como Fonseca Neto e Cinéas Santos, sempre externaram a indignação que sentiam dessa imagem negativa atribuída ao nosso Estado. Sentimento de indignação endossado por nós piauienses. No entanto, temos parcela de culpa nisso. Muitas vezes fomos negligentes, não cultuamos nossa cultura, não valorizamos nossa história e não nos orgulhamos da maravilha de ser piauiense.
O Piauí sempre foi difamado por muitos, inclusive por próprios piauienses. Essa irresponsabilidade, parte por nossa culpa, historicamente difamou a imagem do Piauí a ponto de ser tão difícil mostrar o lado bom do nosso Estado, nossas riquezas, nossas potencialidades, o valor cultural e histórico da nossa gente. Nossa negligência, a falta de espírito patriótico, contribuiu muito para essa situação negativa. Fomos coniventes com tudo isso, enquanto piauienses. Nossa auto-estima era baixa. Por aí afora, muitos afirmavam que não havia vida inteligente no nosso Estado, ou até mesmo inóspito, sem condições para hospedar, em que não se podia viver. O fato é que o Brasil e o mundo não conheciam o Piauí. Mas o mais grave é que nós piauienses não conhecíamos o nosso Estado. Essa é a definição realística da problemática. Quantas pessoas, ao longo da nossa história, lutaram por um Piauí melhor, deram suas vidas por esse propósito, como os Heróis da Batalha do Jenipapo, os Guerreiros da Guerra do Pau de Colher, na minha terra (Dom Inocêncio – PI), dentre outros gestos heróicos da nossa brava gente piauiense, em prova do seu amor pelo Piauí. Muitos morreram lutando pela defesa da honra e da integridade física e moral da nossa terra e da nossa gente.
O que faltava, porém? Uma mentalidade progressista, um descortino mental, por parte do povo piauiense, fruto de uma agenda positiva para nosso Estado. Tivemos a felicidade da existência de estruturas midiáticas responsáveis e construtivas como a CIDADE VERDE, que exerce o papel de educadora, de conscientizadora, instrumento de formação humana, de valorização da nossa cultura e da nossa história. O Piauí está sendo mostrado de forma positiva, e mais do que isso, está havendo um novo processo de descobrimento das nossas belezas naturais e dos nossos valores culturais. Através da CIDADE VERDE conhecemos melhor o nosso Estado, são ações que nos engrandecem, documentários como ‘Dia do Piauí’, ‘Heróis do Jenipapo’, ‘Cidade Verde Aventura’, ‘Potencialidades do Piauí’, ‘Piauí Que Trabalha’, e agora essa ação brilhante, ‘Piauí 250 anos de histórica’, que só nos engrandece mais ainda. Como disse o professor Cinéas Santos, nosso Ariano Suassuna:"Nossa historia é rica, heróica e digna de ser contada". A nossa maior riqueza é a nossa história, portanto, a CIDADE VERDE está enriquecendo o Piauí.
Ocorreu o encontro do Piauí com o povo piauiense. Isso a partir do momento em que tivemos iniciativas louváveis como as da CIDADE VERDE, sempre preocupada com o bem-estar da nossa gente e com o propósito de uma agenda positiva para o engrandecimento do Piauí. A bem da verdade, antes o Piauí não era levado a sério. A existência da CIDADE VERDE está sendo um marco na história piauiense. Isso levanta a nossa auto-estima. E contribui para a consolidação de um Piauí mais justo, mais humano, mais livre, mais fraterno e mais desenvolvido. Temos a obrigação de cantar a nossa aldeia, orgulharmos da nossa história (valores culturais, conceitos morais, princípios éticos e normas comportamentais). Temos que vetar o hibridismo cultural. A nossa identidade cultural, legítima da nossa história, tem que ser conservada, e em alguns casos, resgatada. Enfim, a nossa história, de sangue, de suor, de conquistas, de marcos históricos, está sendo amplamente lembrada e resgatada, ocupou o espaço e a pauta do debate regional, fruto do esforço de vários segmentos sociais, como a iniciativa brilhante e plausível da CIDADE VERDE.
Eu agradeço a Deus por ter nascido no Piauí. Tenho orgulho da nossa terra, da nossa gente, da nossa história. Que Deus continue abençoando nosso querido Piauí e sua gente valiosa!
Marcos Oliveira Damasceno
(engenheiro agrônomo, consultor rural, escritor e memorialista)
MARCOS OLIVEIRA DAMASCENO
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• PERSONAGENS DA HISTÓRIA REGIONAL
ALEXANDRE OLIVEIRA, in memorian, na Década de 10, já enfrentava a seca na região socorrendo pessoas, foi um gigante na luta contra os efeitos desse desastre natural. Era a Defesa Civil regional. Um grande homem, emancipador de povos e de culturas.
JOÃO DAMASCENO, in memorian, em 1920 fundou a Ala Política de Ponta da Serra, foi o Patriarca da Política Regional. Nomeado pelo Presidente Getúlio Vargas e pelo Governador Leônidas de Castro Melo, ‘Juiz de Paz’ da Região de São Raimundo Nonato (1942). Foi quem trouxe esse HOMEM pra região, onde o considerava como um filho. Foi quem mais o ajudou. Seu verdadeiro pai social. Participou de ‘Momentos Históricos Nacionais’ como a Fundação do PCB – Partido Comunista Brasileiro (1922), Coluna Prestes (1924-1927), Revolução de 30 (1930), Aliança Nacional Libertadora – ANL (1935). E ‘Momentos Históricos Regionais’ como a Justiça Itinerante (Anos 40 e 50), onde foi o idealizador; Idealização de uma entidade filantrópica na região, onde convidou um JOVEM MISSIONÁRIO a ser coordenador, através da amizade que tinha com o Bispo Dom Inocêncio (1966); Projeto de emancipação do Município de Dom Inocêncio, nome escolhido por ele em homenagem ao Bispo da Diocese de São Raimundo Nonato, seu amigo (1966).
MARCOS IDALINO, in memorian, um grande defensor da democracia regional, precursor da política na região. Participou de ‘Momentos Históricos Nacionais’ como a Fundação do PCB – Partido Comunista Brasileiro (1922), Coluna Prestes (1924-1927), Revolução de 30 (1930), Aliança Nacional Libertadora – ANL (1935). E ‘Momentos Históricos Regionais’ como a Justiça Itinerante (Anos 40 e 50); Projeto de emancipação do Município de Dom Inocêncio (1966).
HERMÓGENES DIAS, in memorian, pai do Júlio Dias, o primeiro professor da região, um educador da vida, uma atuação cívica, o grande pilar da educação regional, devemos muito a ele.
ANTÔNIO MARTINS, in memorian, grande pecuarista da região, incentivador da religiosidade regional, um homem extraordinário e regionalista. Ajudou a construir boa parte das igrejas da região.
JÚLIO DIAS, in memorian, o grande ‘médico’ da região, salvou muitas vidas, cuidou de muita gente. Era um homem corajoso que enfrentava as dificuldades da época, mas não deixava de cumprir o seu ofício, de forma voluntária. Um exemplo de cidadania. A maior personalidade na área da saúde na região. Todo o início desse trabalho é mérito dele.
JOÃO RODRIGUES (‘Janjão’), in memorian, sobrinho do João Damasceno, Delegado de Polícia, o grande xerife. Comandou várias batalhas em defesa da honra e da integridade regional. Foi um gigante, um batalhador, um desbravador, um herói. Somos o que somos graças ao seu trabalho. Ajudou o JOVEM MISSIONÁRIO, e por fim foi injustiçado por suas mentiras, seus fuxicos.
CINOBELINO DIAS (‘Maroto’), in memorian, um homem influente e altruísta. Representante político, emancipou o Território de Curral Novo, o eterno ‘vereador’ da região. Ajudou o JOVEM MISSIONÁRIO, era o financiador de seus projetos, e nunca foi reconhecimento.
JAIME OLIVEIRA, in memorian, filho do Alexandre Oliveira e genro do João Damasceno. Foi líder político na Localidade Vazante. Um grande defensor do povo, desenvolveu um grande trabalho comunitário. Era o homem da comunidade, do povo.
CELERINO, in memorian, genro do João Damasceno, o grande cientista da região. Desenvolvia trabalhos sociais já nos Anos 40. Um homem muito inteligente.
JOAQUIM DAMASCENO, filho do João Damasceno, está há 65 anos na política regional, o político mais velho na atualidade. Desde 1943 participa do cenário da política local, participou de grandes momentos nacionais e regionais. É um mestre na política. Conhece a História Regional não porque falaram pra ele, mas porque viveu essa História.
AMADEU, in memorian, grande líder da Localidade Cacimbas. Um homem de personalidade forte, extraordinário conselheiro, um líder de valor. Condutor de ensinamentos religiosos e históricos, um grande valorizador da cultura regional. Mestre da sabedoria popular. Uma reserva moral. Um referencial cultural. Um homem do povo. Alguém que teve papel importante nas festividades regionais, notadamente na Localidade de Cacimbas, sua aldeia, sua província, onde foi pioneiro na realização de festas populares.
CAZÉ, in memorian, grande líder da Localidade Lapa. Um extraordinário líder comunitário. Um homem de personalidade forte, a ponto dos seus filhos não terem identidade própria, e serem o ‘Zé Cazé’, ‘Nilo do Cazé’, ‘Antônio do Cazé’ etc. Merece o nosso reconhecimento pela pessoa exemplar que foi, pelo trabalho prestado à sua comunidade, e pela contribuição significativa à História Regional.
LICOR, in memorian, grande líder da Localidade São Bento. Um guerreiro de muitas lutas. Participou de muitas batalhas regionais, na defesa da honra e da integração da região. Um grande ‘soldado’, que lutou para proteger nossa terra em vários momentos difíceis da nossa história. Foi um forte, corajoso e espontâneo, nessas batalhas da vida. Merece o nosso reconhecimento.
JOSÉ MARIANO NUNES, líder político da Localidade Ladeira. Como qualidades políticas, o amor à sua terra e o pioneirismo político – representativo na sua região. Seu trabalho e sua postura política promoveram a condição de visibilidade à Localidade Ladeira. Com isso, começou – se um projeto de estruturação.
ANTONINO COSTA, in memorian, discípulo político de Marcos Idalino. Vereador por duas vezes consecutivas pelo Município de São Raimundo Nonato, no início dos Anos 70 e no final, na gestão do Pedro Macário. Construiu a primeira escola na região, era um defensor incansável da Educação.
EFRAIM OLIVEIRA, in memorian, um grande homem, um filho dedicado a sua terra. Desenvolveu trabalhos tabelionais na região, que permitiram a promoção da dignidade das pessoas.
TIAGO DIAS, in memorian, um grande homem, uma referência política na região. Desenvolveu trabalhos tabelionais e jurídicos na região, que permitiram a promoção da dignidade e a garantia dos direitos das pessoas.
HERMINO DAMASCENO, in memorian, filho do João Damasceno, um grande líder da Localidade Cansanção. Um dos maiores articuladores da política regional. Representante político honrado, atuante e determinado, honrou com a sua participação na construção de um Município mais justo, mais desenvolvido e mais solidário.
JOAQUIM GOMES, sobrinho do João Damasceno, líder político já nos Anos 70 na região, notadamente na Localidade Lajes. Um dos maiores oradores, talvez o maior, na política regional. Um homem de pulso firme.
GULHERMINO RODRIGUES, in memorian, sobrinho do João Damasceno, líder político na Localidade Rosilho. Considerado um intelectual na política regional, fez parte do movimento ‘Heróis da Resistência’. Um homem de uma coerência singular. Firme nos seus propósitos. Conservador nas suas convicções. Um tradicional líder social.
ALCIDES GOMES, sobrinho do João Damasceno, desenvolveu trabalhos jurídicos e tabelionais na região, que permitiram a promoção da dignidade e a garantia dos direitos societários.
HENRIQUE (‘Calu’), in memorian, genro do João Damasceno, considerado o maior cientista empírico da região. Um homem de uma inteligência singular e admirável para o seu tempo, época das deficiências estruturais. Fazia coisas incríveis através da arte, de forma artesanal. Foi importante no processo de desenvolvimento científico-estrutural ocorrido a partir dos Anos 40 na região.
JOSÉ DE SOUSA FILHO (‘Nequinha’), in memorian, genro do João Damasceno, líder político na região, notadamente na Localidade Novo Exu. Vereador por 04 (quatro) vezes consecutivas pelo Município de Dom Inocêncio (1989 - 1992, 1993 – 1996, 1997 – 2000, 2001 - 2004), sendo eleito pela primeira vez nos momentos sombrios da emancipação do Município (1988).
JOÃO MARIANO, in memorian, genro do João Damasceno, um dos precursores do comércio local. Foi determinante, como comerciante, no processo de estruturação comercial - mercadológico na região. Um homem de uma bondade rara, correto nos seus atos e justo nas suas decisões. Um exemplo de luta, de trabalho e de vida. Defensor ferrenho do desenvolvimento regional.
JOSÉ MENDES, grande líder político da Localidade Ladeira. Foi decisivo e crucial no desenvolvimento socioeconômico – cultural – estrutural daquela região. Sempre afirmou que o isolamento estrutural traz isolamento cultural, consequentemente, atraso socioeconômico.
JOSÉ MARÇAL, o fundador do esporte na região, em destaque, o futebol. Foi o primeiro jogador de futebol na região. Mestre dos mestres. Além disso, disseminou o futebol por várias regiões. Um trabalho de grande relevância social.
Enfim, é bom lembrar da inestimável importância deles, marcada pela integração às batalhas populares. Ligados à nossa terra, eles sempre gostaram de ser identificados como homens do povo. Todos eles tinham, e ainda têm, os que estão vivos, um forte instinto de regionalidade. Nessa crise de valores que vivemos na atualidade, eles representam muito. E os que faleceram, fazem falta. Falta fazem, pelos exemplos de compromisso com a região, pela dedicação que tiveram à causa pública e pelo sentido ético que davam a cada passo de suas vidas. Eles estão vivos na memória do povo!
Marcos Oliveira Damasceno
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• Dom Inocêncio López Santamaría
O Bispo Dom Inocêncio está vivo eternamente na lembrança do povo da região. Trata-se de um grande líder religioso, digno da nossa admiração, e um dos emancipadores da região. Homem exemplar, honesto, honrado, socialmente sensível e altruísta. Era um grande parceiro e amigo do meu bisavô João Damasceno. É sabido dos laços verdadeiros de amizade entre eles. Ele foi o nosso primeiro compromisso estético e o nosso senso psicológico.
“DOM INOCÊNCIO LÓPEZ SANTAMARIA, nasceu em Sovellanos (Burgos) – Espanha em 28 de dezembro de 1874. Procedia da família mais pobre daquele povoado. Até os quinze anos foi pastor e peão braçal. Entrou na Ordem dos Mercedários, que se tornou Ministro Geral. Foi nomeado Bispo de uma região atrasadíssima do Nordeste e grande figura do episcopado brasileiro. Trocou todas as mordomias religiosas das instituições romanas pelas selas duras e as secas impiedosas do sertão piauiense. Aí durante quase 30 (trinta anos), numa austera pobreza ele desenvolveu um trabalho humano e religioso que vale a pena recordá-lo. A Ordem Mercedária (da qual foi Mestre Geral), a Igreja (da qual foi Bispo) e o povo da Diocese de Bom Jesus (do qual foi Pastor) não o esqueceu jamais e celebram sempre sua memória como um gratificante dom de Deus. Lêem sua vida como a reedição de um belo romance da fé e do amor doação; e o seu trabalho apostólico naquela região, como uma epopéia do amor humilde e da entrega sem reservas. Durante 28 (vinte e oito anos) no Piauí Dom Inocêncio realizou um duro e austero trabalho religioso, social e cultural: inspirou e deu forma a institutos religiosos, criou escolas e mandou abrir estradas, mas sobretudo administrou, com heróico grau de santidade, sua ação evangelizadora naquela imensa e atrasada região. Sempre disposto, com entusiasmo contagiante, pregava, celebrava, escrevia, ensinava e administrava tanta sorte de serviços. Nunca estava ocupado demais como para não cuidar de detalhes que considerava essenciais, como visitar os presos e os doentes, catequizar as crianças, falar aos jovens. Preocupava-se com a saúde espiritual, moral e física de cada pessoa. E mais: tinha sempre um sorriso para cada um que dele se acercava, uma palavra de conforto para cada dor, de encorajamento para todos. Apesar de trabalho numa das regiões mais pobres da terra, nunca deixou de acreditar naquele povo que ele amava com o coração de pai e ao qual ele sempre se antecipava na busca de soluções para todos os grandes problemas que afligiam a região”. (Revista Mercê). São poucos os que têm a coragem moral e cívica de abandonar as conveniências mesquinhas do luxo e enfrentar um desafio social e religioso numa região até então isolada. Servir ao povo e a Deus. Não tenho conhecimento de outra pessoa, que num impressionante ato de coragem, senso de justiça e prontidão, combatesse todas as mazelas sociais e econômicas existentes no cenário regional. Uma liderança religiosa autêntica e comprometida com o povo, que num gesto de compaixão mostrou a necessidade de se romper com um sistema arcaico e elitista, e se adotar uma forma de convivência com igualdade, liberdade e fraternidade.
Quem conheceu o caráter do Bispo Dom Inocêncio sabe muito bem o quanto ele ficaria feliz em ver essa manifestação. Sua vida foi moldada no trato diário com a causa coletiva. É bom lembrar da sua inestimável importância para o aperfeiçoamento e fortalecimento da cultura e educação regional, sua identidade regionalista, seu espírito coletivista, seu altruísmo, seu profundo conhecimento sobre o contexto social regional, sua participação marcada pela sua integração às batalhas populares. Um homem catedrático.
Ligado à causa social e religiosa, ele gostava de ser identificado como um Mestre, o mais legítimo e o mais compromissado. De uma forma tal que, era um líder religioso respeitado entre todos, independente de ideologia, de linha de pensamento. Isso era unanimidade. Era um detabedor experimentado, debatia os assuntos socioeconômicos e culturais da nossa região com propriedade. Sua maneira de defender o processo de desenvolvimento para a região era singular, com forte instinto de educador e de regionalismo, de um eterno sonhador e incansável lutador para tornar a região numa terra mais desenvolvida, mais justa e mais feliz.
Meu bisavô João Damasceno foi nomeado ‘Juiz de Paz’ na região em 1942, pelo Presidente Getúlio Vargas e pelo Governador Leônidas de Castro Melo, e juntamente com o Bispo Dom Inocêncio, nos anos 50, então Bispo da Diocese de São Raimundo Nonato, idealizou trabalhos importantíssimos para a região. Consolidaram todas as comunidades da região, demarcaram terras, construíram estradas, reservas hídricas, registraram pessoas, registraram terras, construíram os primeiros pólos comerciais da região, fizeram a primeira reforma agrária do Piauí. Mas o que mais marcou foi a idealização da ‘Campanha Liberdade e Propriedade’. Havia muitos conflitos de terras, entre os coronéis rurais e o povo socialmente excluído. Dom Inocêncio justificou: “Não haverá liberdade se apenas um for colonizado em seu próprio território. A propriedade deve ser um direito de todos”. Vale salientar que registraram todas as terras e todas as pessoas da região. Promoveram o estado de dignidade à nossa gente e organizaram politicamente nossa terra.
Morreu aos 81 anos de idade, em 1958, e está sepultado na Catedral de São Raimundo Nonato. Os 50 anos da morte de Dom Inocêncio estão sendo lembrados a cada conquista na região, como por exemplo a existência deste Portal SRN. Ele era o padrinho de tudo isso. Este Portal segue os ensinamentos dele, ao exercer o papel de educador, conscientizador, mobilizador, instrumento de formação humana, de massa crítica, e de desenvolvimento sociocultural.
Trata-se de uma manifestação espontânea, motivada pela sua importância para a região e pela amizade que tinha para com meu bisavô. Isso aproxima-nos mais dele, faz a saudade se agudizar e nos dá uma dimensão da história regional. Sua história nos diz muito para melhor entender a situação atual. Gostaria de lembrar do desejo do meu bisavô, em 1966, no projeto de emancipação do nosso município (Dom Inocêncio), em homenagear um amigo, um guerreiro, um visionário, um líder, um homem que foi importante para o desenvolvimento da região. Dom Inocêncio faleceu em 1958 e meu bisavô em 1968. Mas o seu desejo foi atendido. E somente em 1988, foi emancipado o município de Dom Inocêncio. Grande parte da história regional se confunde com a história desse líder combativo e humanista, desse educador de uma importância significativa na melhoria da região. Essa visitação à história dá uma idéia clara de como foi o nosso passado, e a luta de grandes homens como Dom Inocêncio. Como também, nos dar a certeza de estarmos próximo dele, que a cada dia mais falta faz, pelos exemplos de compromisso com a região, pela dedicação e pelo sentido ético e de honestidade que dava a cada passo de sua vida. Um visionário que buscou fazer da sua experiência e participação, formas de utilizar seu conhecimento para colaborar na construção de uma sociedade mais desenvolvida e melhor para todos nós.
Trata-se de um homem especial, que buscou a paz, que promoveu o amor, e que tornou a nossa terra mais feliz, mais alegre, mais fraterna e mais desenvolvida. Escolheu ser alguém especial, escreveu uma história que poucos conseguem escrever, isso porque exige características sérias e determinantes para tal missão. Dom Inocêncio será sempre lembrado pelo povo da região...
Marcos Oliveira Damasceno
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• JOÃO RODRIGUES DAMASCENO
Nascimento: (1890)
Um homem de instinto forte, respeitador e respeitado, de pulso firme, sábio, líder político influente. Nasceu no final do Século XIX, especificamente no ano de 1890, não se sabe o mês nem o dia do seu nascimento. Vale salientar que naquela época as crianças eram registradas já adultas, isso quando era possível registrar, porém, dificilmente se lembraria da data exata, dia/mês/ano, na maioria das vezes era possível lembrar apenas do ano. Isso deve ser relevado, pois era algo normal naquele tempo difícil da nossa História.
Década de 10:
Sofreu a fome, a miséria, a exclusão social e a perseguição da política coronelista. Viu a seca e seus malefícios por muitas vezes, principalmente, em destaque, na década de 10. Filho de família simples, sofreu a privação material. Presenciou a morte de muita gente, ocasionada pela seca e pela fome. Naquele tempo, os efeitos da seca eram maiores, mais danosos.
Vida pública: (1920)
O Senhor João Damasceno iniciou sua trajetória política em 1920, sendo líder político da Localidade Ponta da Serra, na época, município de São Raimundo Nonato, Estado do Piauí.
PCB: (1922)
Após algum tempo, com o fervor do Comunismo no Brasil, passou, então, a abraçar esse sistema político. Fundado em 25 de março de 1922, o Partido Comunista Brasileiro – PCB, naquela época era a moda do momento, o primeiro partido político formado pela massa popular, pelas classes sociais organizadas no Brasil. Seus fundadores foram nove trabalhadores (um barbeiro, dois funcionários públicos, um eletricista, um gráfico, dois alfaiates, e um operário, à frente o jornalista Astrojildo Pereira).
Revolução de 30: (1930)
Em 1930, solidarizou-se com a Revolução de 30, na qual, tinha-se a pretensão de acabar com a “Política do Café com Leite”, isto é, Minas Gerais representava o leite e São Paulo o café, sendo assim, o Presidente da República alternava-se entre esses dois Estados da Federação. Derrubou, esse movimento, uma prática política tradicional; impediu que o Presidente Júlio Prestes, recém-eleito, tomasse posse.
ANL: (1935)
Com o agravamento das condições de vida das massas urbanas e rurais, e as tendências autoritárias do Governo Vargas, ganha força a Aliança Nacional Libertadora, ANL, em março de 1935, uma frente política formada por ex-tenentes, comunistas, socialistas, líderes sindicais e liberais alijados do poder. “Em 22 de julho de 1935 foi criada um progama oficial de rádio com notícias do governo: a "Hora do Brasil" depois denominada Voz do Brasil existente ainda hoje. Neste período cresceu a radicalização política, especialmente entre a Ação Integralista Brasileira (AIB), de inspiração fascista, liderada por Plínio Salgado, e a Aliança Nacional Libertadora (ANL), movimento dominado pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), pró-soviético.
Nomeação de Juiz de Direito: (1942)
Em 1942, foi escolhido para realizar trabalhos judiciais, ser o “Juiz de Paz”, hoje tarefa para um Juiz de Direito, na Região de São Raimundo Nonato. Foi no Governo do Getúlio Vargas, seu amigo, sendo o Governador do Estado do Piauí o Sr. Leônidas de Castro Melo.
Queremismo: (1944)
Em 1944, aconteceu um fato anormal: houve um mutirão da Igreja Católica, com intuito de batizar todas as crianças da nossa região, crianças pagãs, no total 57, numa missa realizada na Localidade Ponta da Serra. No momento do batismo, apenas um homem era padrinho, de uma só vez, de todas aquelas crianças. O padre, na época da Paróquia de São Raimundo Nonato, surpreendeu-se: “Somente um padrinho, caso raro, é sinal de que é um grande homem”. O cujo padrinho de todas as crianças era o Sr. João Rodrigues Damasceno.
Década de 50:
Nos Anos 50, poucas pessoas tinham documentos pessoais, pouquíssimas, a grande maioria era, na verdade, indigente, pessoas que não existiam formalmente no nosso País. Daí veio a preocupação do João Damasceno em dar dignidade a essa gente. Fez uma campanha de conscientização, com a ajuda e participação do Bispo Dom Inocêncio, em prol da regularização dessas pessoas, ou seja, mostrar a importância delas terem todos os seus documentos pessoais, e exercer plena cidadania. A partir disso, promoveu um mutirão, de forma estratégica, em várias comunidades. Uma espécie de cartório itinerante. Com isso, conseguiu atingir a sua meta, isto é, regularizou a situação de informalidade de todas as pessoas da nossa região. Uma série de documentos, registro de nascimento e demais documentos possíveis na época.
Heróis da Resistência: (1951)
Em 1951, ocorreu uma agravante seca. Tempo da ‘Era Vargas’. Para chamar atenção, de forma estratégica, no Estado do Piauí e no Brasil, João Damasceno criou juntamente com várias pessoas da região o Movimento ‘Heróis da Resistência’. Uma forma cívica de protestar contra o descaso e o abandono da Região Nordeste. Eles tinham conhecimento e poder de mobilização. Isso começou com José Américo de Almeida, Governador da Paraíba (1951 – 1956), que num encontro com o Presidente Vargas se irritou e disse: “A seca do pobre é o inverno do rico”. Outro fato importante, claro, não podemos associar uma coisa à outra, mas esses movimentos supracitados deram uma grande contribuição no impulsionamento do desenvolvimento regional, no momento em que o então Ministro da Fazenda, Horácio Láfer, percebeu que o problema do Nordeste não se resolveria apenas com obras de infra-estrutura, mas com um trabalho de organização da economia nordestina. Foi então, que em outubro de 1951, o então Presidente da República, Getúlio Vargas, enviou ao Congresso Nacional a Mensagem nº 363, na qual a criação do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) era um dos instrumentos mais importantes de um plano de reformulação da política do Governo Federal em relação aos problemas da região.
Morte: (1968)
Em 1968, surge uma triste notícia, a de que o Mestre João Damasceno teria morrido, isso comoveu toda a nossa região. Uma forte perda para a política regional, o povo ficou desamparado, a nossa região ficou desprotegida. No seu velório, não parava de chegar gente, o seu sepulto foi acompanhado por uma multidão de pessoas, algo jamais visto na nossa terra. O povo chorava aquela perda significante, a alma da nossa terra e da nossa gente. Ele era a âncora da região, dava sustentação ao nosso núcleo social. Era a voz do povo, o amigo do povo, o líder do povo, o profeta do povo. A partir daí, a política local perdeu a autenticidade, a seriedade e o compromisso.
Ensinamentos:
Toda a vida e todas as ações do João Damasceno sempre foram um grande magistério. Seu estilo peculiar era ensinar com seu exemplo pessoal. Dizia que o exemplo pessoal era o complemento da atitude transformadora e afirmava que devia se mostrar com o exemplo o caminho a ser seguido. Tinha alguns ensinamentos sagrados e históricos:
“Através da palavra se convence, mas é através do exemplo que se conquista de verdade”.
“Cantem a nossa aldeia. Pois ninguém é nada sem a sua província. Amem a nossa terra, pois é nela que encontramos coragem para lutar e forças para viver”.
Marcos Oliveira Damasceno
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• “Pau-de-Colher”
Num tempo em que a informação virou um instrumento de poder, disseminá-la e levá-la ao conhecimento de todos é um ato cidadão, do qual todos devem se incumbir, em especial aqueles que não compactuam com a corrupção e que querem que as relações entre governantes e governados sejam pautadas pela transparência.
A nossa cidade há muito vive um período político obscurantista. Sem “luz”, mergulha profundamente num poço sem fundo. Os resultados são palpáveis: abandono do patrimônio público, destruição de valores e amesquinhamento das relações sociais.
A nossa geração não pode se abster de participar da revitalização dos valores que são caros à nossa sociedade. Temos o dever moral de contribuir para que esse cenário mude. Não dá para ficar de braços cruzados. Não há perdão para os que podiam agir e não agiram. Omitir-se é consentir; consentir é chancelar, é apoiar o que está galopando por aí.
Mantemos uma coluna semanal no portal sanraimundense. Lá, emitimos opiniões, provocamos debates e tentamos criar uma espécie de fórum de discussões. Buscamos, com ajuda dos leitores, criar pautas de interesse da coletividade.
É uma pena que o acesso à Internet ainda é um privilégio de poucos. A grande maioria não tem como acessar e interagir. Pensando nisso, resolvemos criar esse “panfleto” como forma de democratizar as informações postadas no site e estender o debate a todos.
Esperamos que o projeto seja venturoso e permita criar melhores condições de cidadania e respeito à coisa pública, sem mergulhar em picuinhas e personalizações gratuitas que não levam a nada.
O nome “Pau-de-Colher” é em homenagem à luta travada na nossa região durante os anos de 1937 e 1938, em plena ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. Uma luta que se desenrolou nos moldes da de Canudos de Antônio Conselheiro. Pelos menos os ingredientes foram os mesmos: abandono do Poder Público, coronelismo em voga, pobreza e muito messianismo.
A expressão “Pau-de-Colher” significa para nós da região, disputa, lide, entrevero, batalha.
Essa publicação nasce com um intuito assemelhado. Tirando o messianismo e a luta braçal, características que marcaram esse fato histórico, o “Jornal” terá como objetivo a luta pela cidadania e pelo respeito à coisa pública, valores que só são conquistados pela “força”.... das idéias, é claro.
Fonte: Jornal Pau-de-Colher / www.portalsrn.com.br
Guerra do Pau de Colher
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