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JOS DE FREITAS

• ARTIGO
Zito Cruz
Professor
A cidade de José de Freitas comemora neste mês, 20 de julho, 134 anos de criação de freguesia paroquial da Capela de N. Sra. Do Livramento. Em homenagem a esse evento cultural, faço publicar para o conhecimento da nova geração a íntegra da Lei Provincial que criou a Paróquia:
Resolução Provincial N° 873, publicado em 20 de julho de l874
Adolpho Lamenha Lins, bacharel formado em ciências sociais e jurídicas pela faculdade do Recife, Cavalheiro da Imperial Ordem da Rosa e Presidente da Província do Piauhy.
Faço saber a todos os seus habitantes que a assembléia legislativa provincial decretou e eu sancionei a Resolução seguinte:
Art.1° Fica elevada a categoria de Freguezia a Capela da Povoação de N.Sra. do Livramento, pertencente a freguezia de N.Sra. dos Remédios da Vila da União.
Art, 2° Os limites da nova freguezia serão as fazendas: Várzea, São Pedro, Saco do Fogo, Campo Alegre,Lembrada,Caiçara, Morro Vermelho,Corredeiras,Bom-Jardim,Saco, Boqueirão, Caiçara do Dr. Carlos de Sousa Martins e São Domingos, inclusive lugares que faziam parte de N.Sra. dos Remédios da União, de N.Sra. da Conceição das Barras, de Santo Antonio de Campo maior e de N,Sra. Do Amparo desta Capital.
Art.3° ficam pertencendo ipso-facto à nova freguezia, todos e quaisquer bens que constituíam o patrimônio da referida Capela e povoação de N.Sra. do Livramento.
Art. 4° Fica criado na mesma freguezia um segundo distrito de Paz incorporado ao termo da União.
Art. 5° Revogam-se as disposições em contrário. Mando, portanto a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execuçãoda referida resolução pertencer, que a cumpram e façam cumprir, tão inteiramente como nela se contém. O secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr. Palácio do Governo da Província do Piauhy,aos 20 de julho de 1874, 53° da Independência e do Império.
 Adolpho Lamenha Lins
 Lafayette Fernandes de Moraes – a fez
 Oficial maior.
 Augusto Colin da Silva Rios
 Servindo de secretário.
Eis em tela a Lei que criou a Freguezia Paroquial de N.Sra. do Livramento, comunidade que nasceu sob as bênçãos de N.Sra. Assunta ao Céu, cuja festa,15 de agosto,sempre foi e será a maior festa local. Os filhos residentes em outros estados, no dia da festa passavam telegramas de congratulações alusiva a data, guardavam o dia santo como se Livramento fosse a sua “Meca”, por essa tradição foi criada a noite dos amigos e filhos ausentes bem como a primeira missa do dia 15 na intenção dos benfeitores falecidos. O espírito mariano pulsa no sangue dos freitenses, em 1987 foi criada uma nova freguesia paroquial de N.Sra. do Rosário da cidade nova, que divide o município em duas paróquias: partindo da divisa do município de União pela antiga estrada do fio, até a cidade sede, seguindo a estrada rodoviária em direção a Barras, a esquerda paróquia do Rosário a direita paróquia Matriz. José de Freitas hoje é uma cidade linda e próspera pela boa administração de um filho da terra, que a transformou com aprovação da maioria dos munícipes.
Parabéns José de Freitas pelos seus 134 anos de Paróquia

Professor Zito Cruz

• A Banda de Música Municipal Estrela do Norte foi fundada em 1910 por Gentil de Almendra Freitas, em virtude da necessidade de animar os bailes em alta naquela época. Até então animados pela Banda vinda da vizinha cidade de União. Era o ano de aparição do cometa "Halley", e surgiria nos céus desta terra, mais exatamente ao Norte. Daí o nome Banda Estrela do Norte. Após o ano de 1955, quando da passagem do sargento Luiz Santos, a banda permaneceu desativada por várias décadas, período em que se formaram vários grupos particulares que animavam nossas festas.
Em 1993, por manifestação popular, no governo do então prefeito Fernando Freitas, volta a José de Freitas, o já conhecido, maestro Luiz José dos Santos, maestro renomado, formando um novo grupo que recebeu o nome de BANDA ESTRELA DO NORTE, em homenagem à antiga formação, permanecendo na regência até 1995.
Atualmente a banda é municipalizada por Lei, possui regimento registrado em cartório, está instalando a Escola de Música Luiz José dos Santos, sob a coordenação do Prof. e Músico Ronaldo Campos Chaves e conta com um efetivo de 18 músicos, tendo a mesma se apresentado em diversas cidades do estado, bem como no FESTIVAL DE BANDAS DE TERESINA, com notório reconhecimento no meio artístico-musical e recentemente FOI PREMIADA COM ATÉ R$ 20.000,00 PELA FUNARTE, PARA COMPRA DE INSTRUMENTOS PARA SUA ESCOLA.


RONALDO CAMPOS CHAVES

A história

A cidade de José de Freitas, a 53 quilômetros de Teresina, foi emancipada após um século e meio de criação da vila da Mocha (Oeiras), a primeira vila da então Capitania de São José do Piauí, e após dois séculos do princípio da conquista do território piauiense.

A sua história teve início na Boa Esperança, uma fazenda de criação de gado localizada ao oeste de Campo Maior, fundada pelo Comissário Geral de Cavalaria, Dom Manoel Carvalho de Almeida e sua esposa Clara da Cunha e Silva Castelo Branco, ambos de origem portuguesa. A propriedade da terra foi concedida em nome de dona Clara da Cunha e Silva Castelo Branco, a 3 de agosto de 1741, sendo a carta de doação assinada por João Abreu de Castelo Branco, Governador e Capitão General do Estado do Maranhão.

O casal estruturou a fazenda para a criação de gado e construiu a casa sede geminada à capela consagrada a Nossa Senhora do Livramento, que se tornaria a Padroeira e o nome da cidade.

Protótipo da casa sede geminada à capela

No início do século XIX, a fazenda já havia evoluído para o pequeno povoado da Boa Esperança. Mais tarde, como Capela do Livramento, Paróquia (Freguesia) do Livramento (1874), e vila do Livramento em 1877. Porém, a sua instalação ocorreria a 7 de abril de 1878, data em que se comemora o aniversário da cidade.

Ata de Instalação da vila do Livramento (07.04.1878)

As povoações no Piauí nasceram das fazendas de gado, junto às quais se edificava o Templo religioso - a capela. Disse Heitor Castelo Branco Filho (1929), que José de Freitas tem o destino vinculado a essa trilogia magnificente: religião, fazenda e família.

Dona Clara da Cunha e Silva Castelo Branco sobreviveu ao marido e foi fundamental no processo de educação dos filhos, cujos nomes estão relacionados, a seguir:

    • Francisco da Cunha e Silva Castelo Branco;
    • Manoel Carvalho de Almeida;
    • Belchior Carvalho de Almeida;
    • Antônio Carvalho de Almeida;
    • Isabel da Cunha e Silva Castelo Branco;
    • Arcângela da Cunha Mesquita Castelo Branco;
    • Francisca da Cunha Mesquita Castelo Branco;
    • Ana Eugênia de Castelo Branco;
    • Clara da Cunha e Silva Castelo Branco.

Todas as suas filhas se casaram com homens bem relacionados na vila de Campo Maior, e o filho mais velho, que tinha o nome de seu pai, casou-se com a prima, bem mais jovem do que ele, de nome Anna Rosa Pereira Teresa do Lago, filha de Antônio Carvalho de Almeida e de Maria Eugênia de Mesquita Castelo Branco (filha de Anna Castelo Branco de Mesquita, irmã de Clara,). Anna Rosa Pereira Teresa do Lago terminou por se tornar a única nora de Dom Manoel Carvalho de Almeida e de Clara da Cunha Castelo Branco. Manuel, Belchior e Antônio viveram solteiros a vida inteira. O que parece estranho, pois nessa época os homens podiam tudo! Seriam eles aventureiros inveterados? Eram poucas as mulheres disponíveis? Ou eram homossexuais?

As primeiras fazendas da vila de Nossa Senhora do Livramento foram Boa Esperança, São Pedro e São Domingos , todas do século XVIII. No século seguinte fundaram-se mais fazendas na região, e as que mais se destacaram, foram: Contendas, Alto Bonito, Baixa Escura, Ininga, Brejo, Malhada Comprida, Tapuio, Olho d'Água, Aprazível, Meruoca, Marataoan, Boqueirão, Contente, Princípio, Lembrada, São Fernando, Morro Vermelho, entre outras. Os seus proprietários pertenciam às famílias: Castelo Branco, Carvalho de Almeida, Borges Leal, Sousa Fortes, Almendra, Almendra Freitas, Sampaio, Sampaio Almendra, Gayoso, Menezes Costa, Lopes e Lopes Sampaio. No decorrer do tempo outras fazendas se estabeleceram, e mais famílias se entrelaçaram, através de casamento, amizade e outros interesses, construindo a história de José de Freitas, que se confunde com a história destas famílias possuidoras dos maiores cabedais e cujos descendentes mantiveram suas grandes propriedades e o poder econômico, e político até os dias atuais

A vila do Livramento teve o seu território definitivo desmembrado de União, que ao se desligar de Campo Maior para se tornar vila em 1853, apropriou-se de grande parte das terras ao oeste de Campo Maior, inclusive da povoação da Capela do Livramento. "Das margens do rio Marataoan à beira do rio Parnaíba, inclusive a Capela do Livramento integraram o território da vila de União".

O Livramento foi a vigésima quarta vila a ser criada na Província do Piauí e a décima segunda do norte, antes dela haviam sido criadas nessa região as seguintes vilas: Campo Maior (1761), Marvão (Castelo do Piauí) (1761), Parnaíba (1761), Piracuruca (1832), Príncipe Imperial (Crateús-CE) (1832), Poti (1832), Barras (1841), União (1853), Matões (Pedro II) (1854), Batalha (1854), Piripiri (1874) e Humildes (Alto Longá) (1875).

Na Ata de instalação da Vila do Livramento, de 1878, consta uma relação com os nomes das pessoas presentes. Porém, pelos valores culturais e políticos da época, não foram registrados os nomes das mulheres que se encontravam no Consistório da Igreja Matriz de N. S. do Livramento, local onde se formalizou o grande acontecimento. A relação completa, a seguir: Eugênio Telles da Silveira Fortes (Juiz substituto de Campo Maior), Gentil Homem Avelino, Pacífico da Silva Castelo Branco, Estevão Lopes Castelo Branco, Jacob Almendra da Fonseca Freitas, Francisco Barbosa Sousa, Antônio Florêncio da Costa, Gentil Homem de Menezes Costa, Pacífico Fortes Castelo Branco, Francisco Fortes Castelo Branco, José Florindo de Menezes Costa, Estevão Lopes de Sampaio, Francisco Santana Castelo Branco, Enéas Fortes Castelo Branco, Enoch de Menezes Costa, Antônio José de Sampaio, Solon Augusto Pereira da Silva, Pedro Paulo de Moraes, José de Almendra Freitas, Luís do Montes Palma, Manoel Francisco de Santana, João José Pinheiro, Pedro do Montes Palma, Antônio da Silva Torres, Fernando Pinto de Araújo Silva, Manoel de Sousa Munis, Florêncio Joaquim de Sousa, Manoel Fonseca de Andrade, Thomás Belarmino de Aquino Osório, João da Mata, Dorotheo Águido Pinto, Albino Simplício da Costa, Antônio da Cunha e Silva, Marques dos Santos, Francisco Cardoso de Araújo, Josiel Fernandes de Castro, Antônio Aprígio Pinto, Abel dos Santos Vasconcelos, Bruno José Properson, Joaquim Gomes de Oliveira, Pedro dos Santos Vasconcelos, José Gomes de Oliveira, José de Sousa Lima, Higino de Sousa Lima, Marcolino Lopes da Silva, Pedro Fortes de Castro, Jesuíno Pereira da Rocha, Osano de Menezes Costa, Ângelo Custódio da Silva, Joaquim Antônio de Menezes Costa, Francisco da Costa Oliveira, Otaviano Luís Pereira, Jesuíno Alves Barbosa, Maurílio José Rodrigues e Antônio de Pádua Rego.

Os primeiros vereadores eleitos da vila do Livramento foram: tenente Antônio Florêncio da Costa, capitão Pacífico Fortes Castelo Branco, alferes Pedro do Montes Palmas, Eleutério Pereira da Silva, Manuel Francisco de Santana, Theotonio Gomes da Silva e Antônio da Cunha e Silva. A presidência da Câmara foi ocupada, por força de lei, pelo vereador mais votado, Antônio Florêncio da Costa e a vice-presidência por Pacífico Fortes Castelo Branco (prefeito e vice). Os suplentes de vereadores foram: Joaquim Alves de Holanda, capitão Antônio José de Sampaio Castelo Branco, tenente Gentil Homem de Meneses Costa, Manoel da Costa e Silva, Raimundo Furtado de Mendonça, Octaviano Luiz Pereira, Pedro Alves de Vasconcellos. Também tomaram posse no cargo de Juiz de Paz, os quatro eleitos, a seguir: tenente Gentil Homem de Meneses Costa, alferes Francisco Fortes Castelo Branco, tenente Pedro do Montes Palmas e Manoel Francisco de Santana.

Em 1881, foram os seguintes vereadores eleitos à Câmara Municipal da Vila do Livramento: capitão Antônio Florêncio da Costa (presidente), capitão Pacífico Fortes Castelo Branco (vice-presidente) (prefeito e vice), major Jacob de Almendra Freitas, capitão Solon Augusto Pereira da Silva, tenente Manoel Francisco de Santana, Enoch de Menezes Costa e Antônio da Cunha e Silva. Suplentes: Florêncio Alves de Vasconcellos, Antônio José Sampaio, Antônio de Pádua Rego e Alípio Fortes Castelo Branco.

Para o mandato 1883/86, foram eleitos os seguintes vereadores à Câmara Municipal da vila do Livramento: major Jacob de Almendra Freitas (presidente), Enoch de Menezes Costa (vice-presidente) (prefeito e vice), Antônio de Pádua Rego, Alípio Fortes Castelo Branco, Gentil Homem de Menezes Costa, José Antônio Damasceno, Antônio José de Sampaio Castelo Branco, deixando de comparecer o vereador capitão Francisco de Santana Castelo Branco por ter optado pelo cargo de juiz Municipal de União.

Para o mandato 1887/90, foram eleitos os seguintes vereadores à Câmara Municipal da vila do Livramento: major Jacob de Almendra Freitas (presidente), Alípio Fortes Castelo Branco (vice-presidente), Pacífico Fortes Castelo Branco, Fontenelle César Burlamaque, Antônio Florêncio da Costa, Eleutério Pereira da Silva e Antônio da Cunha e Silva. O segundo mandato (de prefeito) de Jacob Freitas foi interrompido em 1889, pelo advento da Proclamação da República. O presidente do Conselho Municipal foi afastado. Assumiu o cargo, que passou a se chamar de intendência, o então vice-presidente do Conselho Municipal Alípio Fortes Castelo Branco (nome mais provável).

A partir de 1893, o português José de Almendra Freitas (1856-1931), chegado ao Livramento em 1877 assumiu a liderança política-administrativa do município por quase cinqüenta anos, criando leis e ações para organização da cidade. Explorou a pecuária, a carnaúba e o babaçu. Cuidou do algodão e da maniçoba, estabeleceu negócios comerciais de exportação e importação bem acima dos padrões regionais. Destacou-se na vida pública do Estado e terminou deixando ao município o próprio nome, graças à compreensão dos governantes piauienses.

Em 7 de julho de 1924, o Governador Matias Olímpio de Melo (1882-1967), pela Lei n.º 1.088, elevou a vila do Livramento à categoria de cidade, no primeiro mandato do então Prefeito Antônio de Almendra Freitas (1894-1963).

Para Hugo Napoleão do Rego Neto (1943), o nome de Livramento para a vila tem a ver com o espírito de liberdade que fervilhava entre os piauienses naquela época. Era a força popular que se fazia sentir pela libertação dos escravos: "Antes mesmo da "Lei do Ventre Livre," antes mesmo do Brasil conseguir solucionar o problema da escravidão, a Província do Piauí já cogitava a libertação dos escravos, por meio da fundação de uma sociedade emancipadora, que fora criada por leis provinciais de 18 de agosto de 1868 e de 14 de dezembro de 1869." Hugo Napoleão sugere que Livramento poderia ser o símbolo de uma época uma vez que a Província do Piauí foi vanguardeira na libertação dos escravos. Livramento era a palavra de ordem e estava tão arraigada à consciência dos piauienses, que deu motivo à instituição da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento em julho de 1874. O nome da santa homenageou a vila e a cidade até março de 1931.

Através do Decreto n.º 1.186, de 18 de março de 1931, Joaquim Lemos Cunha, Interventor Federal do Piauí (de janeiro a maio de 1931), dava à cidade do Livramento o nome de José de Freitas. Uma homenagem a José Rodrigues de Almendra da Fonseca Freitas, logo após o seu falecimento a 1º de março de 1931.

Fernando de Almendra Freitas


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