• A história
A cidade de José de Freitas, a 53 quilômetros de Teresina, foi emancipada após um século e meio de criação da vila da Mocha (Oeiras), a primeira vila da então Capitania de São José do Piauí, e após dois séculos do princípio da conquista do território piauiense.
A sua história teve início na Boa Esperança, uma fazenda de criação de gado localizada ao oeste de Campo Maior, fundada pelo Comissário Geral de Cavalaria, Dom Manoel Carvalho de Almeida e sua esposa Clara da Cunha e Silva Castelo Branco, ambos de origem portuguesa. A propriedade da terra foi concedida em nome de dona Clara da Cunha e Silva Castelo Branco, a 3 de agosto de 1741, sendo a carta de doação assinada por João Abreu de Castelo Branco, Governador e Capitão General do Estado do Maranhão.
O casal estruturou a fazenda para a criação de gado e construiu a casa sede geminada à capela consagrada a Nossa Senhora do Livramento, que se tornaria a Padroeira e o nome da cidade.
Protótipo da casa sede geminada à capela
No início do século XIX, a fazenda já havia evoluído para o pequeno povoado da Boa Esperança. Mais tarde, como Capela do Livramento, Paróquia (Freguesia) do Livramento (1874), e vila do Livramento em 1877. Porém, a sua instalação ocorreria a 7 de abril de 1878, data em que se comemora o aniversário da cidade.
Ata de Instalação da vila do Livramento (07.04.1878)
As povoações no Piauí nasceram das fazendas de gado, junto às quais se edificava o Templo religioso - a capela. Disse Heitor Castelo Branco Filho (1929), que José de Freitas tem o destino vinculado a essa trilogia magnificente: religião, fazenda e família.
Dona Clara da Cunha e Silva Castelo Branco sobreviveu ao marido e foi fundamental no processo de educação dos filhos, cujos nomes estão relacionados, a seguir:
• Francisco da Cunha e Silva Castelo Branco; • Manoel Carvalho de Almeida; • Belchior Carvalho de Almeida; • Antônio Carvalho de Almeida; • Isabel da Cunha e Silva Castelo Branco; • Arcângela da Cunha Mesquita Castelo Branco; • Francisca da Cunha Mesquita Castelo Branco; • Ana Eugênia de Castelo Branco; • Clara da Cunha e Silva Castelo Branco.
Todas as suas filhas se casaram com homens bem relacionados na vila de Campo Maior, e o filho mais velho, que tinha o nome de seu pai, casou-se com a prima, bem mais jovem do que ele, de nome Anna Rosa Pereira Teresa do Lago, filha de Antônio Carvalho de Almeida e de Maria Eugênia de Mesquita Castelo Branco (filha de Anna Castelo Branco de Mesquita, irmã de Clara,). Anna Rosa Pereira Teresa do Lago terminou por se tornar a única nora de Dom Manoel Carvalho de Almeida e de Clara da Cunha Castelo Branco. Manuel, Belchior e Antônio viveram solteiros a vida inteira. O que parece estranho, pois nessa época os homens podiam tudo! Seriam eles aventureiros inveterados? Eram poucas as mulheres disponíveis? Ou eram homossexuais?
As primeiras fazendas da vila de Nossa Senhora do Livramento foram Boa Esperança, São Pedro e São Domingos , todas do século XVIII. No século seguinte fundaram-se mais fazendas na região, e as que mais se destacaram, foram: Contendas, Alto Bonito, Baixa Escura, Ininga, Brejo, Malhada Comprida, Tapuio, Olho d'Água, Aprazível, Meruoca, Marataoan, Boqueirão, Contente, Princípio, Lembrada, São Fernando, Morro Vermelho, entre outras. Os seus proprietários pertenciam às famílias: Castelo Branco, Carvalho de Almeida, Borges Leal, Sousa Fortes, Almendra, Almendra Freitas, Sampaio, Sampaio Almendra, Gayoso, Menezes Costa, Lopes e Lopes Sampaio. No decorrer do tempo outras fazendas se estabeleceram, e mais famílias se entrelaçaram, através de casamento, amizade e outros interesses, construindo a história de José de Freitas, que se confunde com a história destas famílias possuidoras dos maiores cabedais e cujos descendentes mantiveram suas grandes propriedades e o poder econômico, e político até os dias atuais
A vila do Livramento teve o seu território definitivo desmembrado de União, que ao se desligar de Campo Maior para se tornar vila em 1853, apropriou-se de grande parte das terras ao oeste de Campo Maior, inclusive da povoação da Capela do Livramento. "Das margens do rio Marataoan à beira do rio Parnaíba, inclusive a Capela do Livramento integraram o território da vila de União".
O Livramento foi a vigésima quarta vila a ser criada na Província do Piauí e a décima segunda do norte, antes dela haviam sido criadas nessa região as seguintes vilas: Campo Maior (1761), Marvão (Castelo do Piauí) (1761), Parnaíba (1761), Piracuruca (1832), Príncipe Imperial (Crateús-CE) (1832), Poti (1832), Barras (1841), União (1853), Matões (Pedro II) (1854), Batalha (1854), Piripiri (1874) e Humildes (Alto Longá) (1875).
Na Ata de instalação da Vila do Livramento, de 1878, consta uma relação com os nomes das pessoas presentes. Porém, pelos valores culturais e políticos da época, não foram registrados os nomes das mulheres que se encontravam no Consistório da Igreja Matriz de N. S. do Livramento, local onde se formalizou o grande acontecimento. A relação completa, a seguir: Eugênio Telles da Silveira Fortes (Juiz substituto de Campo Maior), Gentil Homem Avelino, Pacífico da Silva Castelo Branco, Estevão Lopes Castelo Branco, Jacob Almendra da Fonseca Freitas, Francisco Barbosa Sousa, Antônio Florêncio da Costa, Gentil Homem de Menezes Costa, Pacífico Fortes Castelo Branco, Francisco Fortes Castelo Branco, José Florindo de Menezes Costa, Estevão Lopes de Sampaio, Francisco Santana Castelo Branco, Enéas Fortes Castelo Branco, Enoch de Menezes Costa, Antônio José de Sampaio, Solon Augusto Pereira da Silva, Pedro Paulo de Moraes, José de Almendra Freitas, Luís do Montes Palma, Manoel Francisco de Santana, João José Pinheiro, Pedro do Montes Palma, Antônio da Silva Torres, Fernando Pinto de Araújo Silva, Manoel de Sousa Munis, Florêncio Joaquim de Sousa, Manoel Fonseca de Andrade, Thomás Belarmino de Aquino Osório, João da Mata, Dorotheo Águido Pinto, Albino Simplício da Costa, Antônio da Cunha e Silva, Marques dos Santos, Francisco Cardoso de Araújo, Josiel Fernandes de Castro, Antônio Aprígio Pinto, Abel dos Santos Vasconcelos, Bruno José Properson, Joaquim Gomes de Oliveira, Pedro dos Santos Vasconcelos, José Gomes de Oliveira, José de Sousa Lima, Higino de Sousa Lima, Marcolino Lopes da Silva, Pedro Fortes de Castro, Jesuíno Pereira da Rocha, Osano de Menezes Costa, Ângelo Custódio da Silva, Joaquim Antônio de Menezes Costa, Francisco da Costa Oliveira, Otaviano Luís Pereira, Jesuíno Alves Barbosa, Maurílio José Rodrigues e Antônio de Pádua Rego.
Os primeiros vereadores eleitos da vila do Livramento foram: tenente Antônio Florêncio da Costa, capitão Pacífico Fortes Castelo Branco, alferes Pedro do Montes Palmas, Eleutério Pereira da Silva, Manuel Francisco de Santana, Theotonio Gomes da Silva e Antônio da Cunha e Silva. A presidência da Câmara foi ocupada, por força de lei, pelo vereador mais votado, Antônio Florêncio da Costa e a vice-presidência por Pacífico Fortes Castelo Branco (prefeito e vice). Os suplentes de vereadores foram: Joaquim Alves de Holanda, capitão Antônio José de Sampaio Castelo Branco, tenente Gentil Homem de Meneses Costa, Manoel da Costa e Silva, Raimundo Furtado de Mendonça, Octaviano Luiz Pereira, Pedro Alves de Vasconcellos. Também tomaram posse no cargo de Juiz de Paz, os quatro eleitos, a seguir: tenente Gentil Homem de Meneses Costa, alferes Francisco Fortes Castelo Branco, tenente Pedro do Montes Palmas e Manoel Francisco de Santana.
Em 1881, foram os seguintes vereadores eleitos à Câmara Municipal da Vila do Livramento: capitão Antônio Florêncio da Costa (presidente), capitão Pacífico Fortes Castelo Branco (vice-presidente) (prefeito e vice), major Jacob de Almendra Freitas, capitão Solon Augusto Pereira da Silva, tenente Manoel Francisco de Santana, Enoch de Menezes Costa e Antônio da Cunha e Silva. Suplentes: Florêncio Alves de Vasconcellos, Antônio José Sampaio, Antônio de Pádua Rego e Alípio Fortes Castelo Branco.
Para o mandato 1883/86, foram eleitos os seguintes vereadores à Câmara Municipal da vila do Livramento: major Jacob de Almendra Freitas (presidente), Enoch de Menezes Costa (vice-presidente) (prefeito e vice), Antônio de Pádua Rego, Alípio Fortes Castelo Branco, Gentil Homem de Menezes Costa, José Antônio Damasceno, Antônio José de Sampaio Castelo Branco, deixando de comparecer o vereador capitão Francisco de Santana Castelo Branco por ter optado pelo cargo de juiz Municipal de União.
Para o mandato 1887/90, foram eleitos os seguintes vereadores à Câmara Municipal da vila do Livramento: major Jacob de Almendra Freitas (presidente), Alípio Fortes Castelo Branco (vice-presidente), Pacífico Fortes Castelo Branco, Fontenelle César Burlamaque, Antônio Florêncio da Costa, Eleutério Pereira da Silva e Antônio da Cunha e Silva. O segundo mandato (de prefeito) de Jacob Freitas foi interrompido em 1889, pelo advento da Proclamação da República. O presidente do Conselho Municipal foi afastado. Assumiu o cargo, que passou a se chamar de intendência, o então vice-presidente do Conselho Municipal Alípio Fortes Castelo Branco (nome mais provável).
A partir de 1893, o português José de Almendra Freitas (1856-1931), chegado ao Livramento em 1877 assumiu a liderança política-administrativa do município por quase cinqüenta anos, criando leis e ações para organização da cidade. Explorou a pecuária, a carnaúba e o babaçu. Cuidou do algodão e da maniçoba, estabeleceu negócios comerciais de exportação e importação bem acima dos padrões regionais. Destacou-se na vida pública do Estado e terminou deixando ao município o próprio nome, graças à compreensão dos governantes piauienses.
Em 7 de julho de 1924, o Governador Matias Olímpio de Melo (1882-1967), pela Lei n.º 1.088, elevou a vila do Livramento à categoria de cidade, no primeiro mandato do então Prefeito Antônio de Almendra Freitas (1894-1963).
Para Hugo Napoleão do Rego Neto (1943), o nome de Livramento para a vila tem a ver com o espírito de liberdade que fervilhava entre os piauienses naquela época. Era a força popular que se fazia sentir pela libertação dos escravos: "Antes mesmo da "Lei do Ventre Livre," antes mesmo do Brasil conseguir solucionar o problema da escravidão, a Província do Piauí já cogitava a libertação dos escravos, por meio da fundação de uma sociedade emancipadora, que fora criada por leis provinciais de 18 de agosto de 1868 e de 14 de dezembro de 1869." Hugo Napoleão sugere que Livramento poderia ser o símbolo de uma época uma vez que a Província do Piauí foi vanguardeira na libertação dos escravos. Livramento era a palavra de ordem e estava tão arraigada à consciência dos piauienses, que deu motivo à instituição da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento em julho de 1874. O nome da santa homenageou a vila e a cidade até março de 1931.
Através do Decreto n.º 1.186, de 18 de março de 1931, Joaquim Lemos Cunha, Interventor Federal do Piauí (de janeiro a maio de 1931), dava à cidade do Livramento o nome de José de Freitas. Uma homenagem a José Rodrigues de Almendra da Fonseca Freitas, logo após o seu falecimento a 1º de março de 1931.
Fernando de Almendra Freitas
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